BRASÍLIA — Apesar da derrota no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou a suspeição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o Palácio do Planalto defende que uma eventual denúncia contra o presidente Michel Temer ainda estaria "enfraquecida". Nesta quarta-feira, Temer foi avisado do resultado do julgamento, por nove votos a zero, por meio de um papel durante uma reunião.
A televisão ficou ligada no gabinete do presidente durante toda a tarde, sintonizada no plenário do STF. Quando a corte, por unanimidade, manteve Janot à frente das investigações contra o presidente, Temer estava com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB). Um auxiliar avisou o presidente do resultado de nove a zero por meio de um papel.
Quando o Supremo analisava questão de ordem sobre a validade da denúncia da JBS contra Temer, o presidente também recebeu o ex-presidente José Sarney. Assessores e ministros passaram o dia acompanhando a sessão.
No Planalto, a avaliação é que mesmo com a derrota, o fato de que o STF analisou se mantinha Janot investigando Temer já gerou "desgaste" à imagem do PGR. Além disso, assessores do presidente também acharam "positiva" a discussão das validades das provas do caso JBS. Esta questão, especificamente, só será votada na próxima semana, já que a sessão foi suspensa.
— Janot segue se enfraquecendo, mesmo com o resultado do STF. A denúncia segue sem peso — minimiza um auxiliar do peemedebista, que destaca o café para parlamentares e ministros que Temer fez no Palácio do Alvorada nesta quarta-feira, quando disse que o Congresso é que "sustenta" o governo. Janot tem somente mais dois dias úteis à frente do Ministério Público para apresentar a segunda denúncia criminal contra o presidente. Na quinta-feira e na sexta-feira, Temer viajará para o Tocantins e para o Rio.

