O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a condenação de dez réus acusados de integrar o chamado “núcleo 3” da trama golpista investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo usou posições estratégicas e conhecimentos técnicos para tentar desestabilizar o regime democrático e pressionar as Forças Armadas a aderirem a um golpe de Estado para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.
De acordo com o Ministério Público, parte dos acusados participou do plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o monitoramento, a prisão e até o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do STF Alexandre de Moraes. O outro grupo teria atuado para coagir a alta cúpula militar a apoiar um decreto de ruptura institucional.
Durante o julgamento no STF, Gonet afirmou que os réus contribuíram de forma decisiva para as ações da organização criminosa e que estavam cientes da falsidade das alegações de fraude eleitoral. O procurador citou mensagens e áudios de Wladimir Soares, agente da Polícia Federal, em que ele admite disposição para uso de “força letal” contra autoridades. Segundo Gonet, as provas revelam uma “disposição homicida e brutal” dos envolvidos.
A PGR pediu a condenação dos oito militares e do agente da PF pelos crimes de tentativa de golpe de Estado e outros quatro delitos. O tenente-coronel Ronald Ferreira, acusado de participação pontual, pode responder por incitação ao crime. Até agora, o Supremo já condenou 15 pessoas ligadas à tentativa de golpe de 2022, com penas que variam de 16 a 27 anos de prisão.
Os militares são:
Bernardo Romão Corrêa Netto (coronel do Exército)
Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira (general da reserva)
Fabrício Moreira de Bastos (coronel do Exército)
Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel do Exército)
Márcio Nunes de Resende Jr. (coronel do Exército)
Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel do Exército)
Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel do Exército)
Ronald Ferreira de Araújo Jr. (tenente-coronel do Exército)
Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel do Exército)
Wladimir Matos Soares (agente da Polícia Federal)

