RIO - Policiais federais fazem nesta terça-feira uma operação contra grupos criminosos que operavam no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio. As equipes da operação Rush visam a cumprir 36 mandados de prisão e um de condução coercitiva contra suspeitos de praticarem sofisticados esquemas de tráfico internacional de drogas, descaminho e furto de bebidas do interior de aeronaves em pouso. Vinte e quatro pessoas já foram presas. Segundo a Polícia Federal, é a maior operação policial já realizada no terminal.
Dois funcionários da Receita Federal são alvos da ação. Já os demais mandados contra funcionários e terceirizados da Infraero, além de companhias aéreas. A operação é realizada ainda nos bairros de: Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca, Campo Grande, Ramos, Ilha do Governador, Olaria, Bonsucesso, Saúde, Inhaúma, Praça Seca, Tomás Coelho, Magalhães Bastos, Vaz Lobo, Bangu e Jacarepaguá, todos na capital fluminense; e também nos municípios de Queimados, Belford Roxo, Angra dos Reis e São Paulo.
A investigação há dez meses. Naquela ocasião, a PF descobriu que uma mala foi despachada do Rio em voo para Amsterdam. A bagagem, porém, estava em nome de um casal que seguiu para Salvador. A mala foi devolvida para o Galeão e, quando passou pelo raio-X, foram descobertos 37 quilos de cocaína dentro dela.
Foram identificados três grupos, chefiados por um ex-funcionário do Galeão, que era responsável por recrutar os outros integrantes da quadrilha. Ele era auxiliado por seu pai, que ainda trabalhava no aeroporto.
Para o tráfico de drogas, o esquema funcionava da seguinte maneira: nomes de passageiros de voos domésticos eram escolhidos aleatoriamente. Etiquetas com os nomes dessas pessoas eram impressas e colocadas em malas com drogas. A bagagem entrava pelo porão e era colocada em voos internacionais, normalmente com destino à Europa.
Já para o contrabando, as malas de voos internacionais — a maioria deles com destino a Miami, nos Estados Unidos — não passavam pela fiscalização da Receita Federal. Para que a vistoria não acontecesse, a bagagem era desviada para as esteiras dos voos domésticos.
Os funcionários de empresas aéreas e da Receita Federal são suspeitos de também facilitarem a saída de malas com roupas, aparelhos eletrônicos e até cabelos.

