BRASÍLIA - A decisão do presidente Michel Temer de apresentar sua defesa contra a denúncia da Procuradoria-Geral da República apenas nesta quarta-feira - e não mais na terça-feira - pode atrasar o calendário montado pelos aliados para liquidar o caso com rapidez, antes da saída dos parlamentares para as férias de julho.
A ideia inicial era que Temer apresentasse nesta terça-feira para que o caso fosse apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) dia 12 e, entre os dias 13 e 14, no plenário da Câmara. Agora, segundo aliados, há o risco de a CCJ votar apenas na quinta-feira, dia 13, o que deixaria o plenário para a semana do dia 18 de julho. Teoricamente, os parlamentares se preparam para deixar Brasília a partir do dia 14.
O presidente da CCJ, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), explicou que o prazo para o relator deverá contar a partir de quinta-feira (6). já que é preciso que Temer apresente primeiro a sua defesa. Temer, como O GLOBO revelou na semana passada, decidiu apressar a tramitação e não utilizar o prazo de até dez sessões para a apresentar a defesa.
O relator tem prazo de até cinco sessões para apresentar o parecer contra ou a favor da denúncia, e o Palácio do Planalto espera que o escolhido não utilize todo o tempo. O prazo é contato com base em sessões do plenário da Câmara, que precisa de 51 deputados para ser aberta.
Além disso, o QG de aliados está irritado com a indefinição de parlamentares, que insistem em não abrir o voto publicamente. Os votos certos na CCJ estavam em 34 na última sexta-feira e agora estão na casa dos 30.
— Todo mundo quer conversar — reclamou um aliado.
Já o líder do PMDB na Câmara, deputado Baleia Rossi (SP), está otimista e disse que a bancada já está dando apoio ao presidente Temer e que não precisa fazer reunião para fechar questão. Nos bastidores, porém, integrantes do Palácio do Planalto acreditam que é preciso ser mais incisivo com a bancada de 63 deputados. Baleia esteve com temer na última quinta-feira.
— Não precisa haver fechamento de questão. Nos reunimos na semana passada, e todas as manifestações estão sendo de apoio a Temer e contra a denúncia. O governo tem uma base coesa e deverá ter uma vitória expressiva na CCJ e depois no Plenário _ disse Baleia.
O vice-líder do governo na Câmara e aliado de Temer, deputado Beto Mansur (PRB-SP), disse que a questão é política e não mais de consistência da peça de acusação ou de defesa.
— O problema hoje na Casa é eminentemente político — disse Beto Mansur.
Se o Planalto tiver que estivar o calendário para a semana do dia 18, haverá o recesso branco. O Congresso não aprova a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) _ que pela Constituição precisa ser aprovada para haver o recesso oficial a partir do dia 18 de julho _, e os deputados ficam de prontidão e os senadores saem no recesso branco.
O problema é que os deputados se preparam para viajar a partir do dia 14. Para colocar a denúncia em votação no plenário, é preciso haver 342 presentes para abrir a sessão. Aberta a sessão, o quorum se inverte: são os defensores da denúncia que precisarão ter 342 votos. Ou seja, basta a base aliada dar presença e depois não se manifestar.

