SÃO PAULO - O ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, afirmou em audiência com o juiz Sergio Moro que a empreiteira doou menos à campanha de Dilma Rousseff de 2010 porque provisionou saldo de propina da empresa na “conta amigo”, atribuída ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No depoimento, prestado nesta segunda-feira, Odebrecht também disse que ao final do segundo mandato do petista, o crédito de vantagens indevidas da presidência da república foi automaticamente reservado para uso de Lula. O ex-presidente nega as acusações.
— Eu estava preocupado que, para a doação de 2010, nós não íamos fazer grandes doações, porque já tinha gasto tudo. E o que eu não tinha gasto estava sendo provisionado na conta do amigo — disse o ex-presidente da Odebrecht. — O saldo que eu tinha, grande parte dele, quando chegou em 2010, antes da campanha, eu já tinha contribuído com todos os pagamentos que eles pediram antes. E o saldo eu coloquei na conta do amigo, então a gente acabou não fazendo muita doação para a Dilma em 2010.
Odebrecht também afirmou que Lula sabia da existência da planilha “Italiano”, referente a recursos destinados ao PT, que era mantido pelo Setor de Operações Estruturadas, conhecido como departamento de propina. O depoimento foi prestado na ação que Lula é réu sob a acusação ter sido beneficiado com propinas da Odebrecht, como a compra de um prédio para o Instituto Lula, que não chegou a ser usado, e de uma cobertura vizinha ao apartamento em que o petista mora em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.
Em nota, a defesa disse que o empresário não citou nenhuma contrapartida oferecida por Lula a Odebrecht em troca das supostas vantagens recebidas. O Instituto Lula informa que o depoimento de Marcelo Odebrecht comprova que nem o Instituto, nem Lula nunca pediram ou receberam qualquer terreno da Odebrecht. O instituto disse ainda que nunca comprou, usou ou recebeu qualquer terreno da Odebrecht. O Instituto funciona em uma casa adquirida em 1991 no bairro do Ipiranga.

