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O que dizem os colunistas

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Sou jornalista há 36 anos. Já escrevi sobre tudo: política, economia, polícia, futebol. Fui correspondente em Paris, . Mas, por esses inevitáveis caminhos da vida profissional, passei os últimos 17 anos dentro da Redação do GLOBO, dez anos como editor-executivo, sete como diretor de Redação, sem escrever nada. Pelo menos nada para publicação.

E agora, eis-me aqui, de volta ao teclado, chamado a escrever esta coluna dominical e um artigo semanal. Fora do comando do jornal, podendo exercer ideias sem confundir a opinião do editor com a opinião do jornal, sinto que posso ter o Sobretudo se seguir alguns conselhos daqueles que fazem colunas há muitos anos.

me disse que coluna não pode ser chata. Por estar localizada nas páginas de País, não precisa necessariamente tratar de Temeres, Lulas, Bolsonaros e Alckmins. “As pessoas estão de saco cheio de política, Ascânio. E já tem tanta gente escrevendo sobre isso. Tente navegar em outras águas”. Excelente dica do colunista e amigo. Vou tentar seguir bem de perto a orientação, mas este é um ano excessivamente político, eleitoral, não dá para fugir tanto assim, Ancelmo.

lembrou como procurou seduzir o leitor na sua primeira coluna. Pediu, sem qualquer constrangimento, que o leitor o lesse. “Por favor, leiam esta coluna” foi o título de seu primeiro texto na página 4 do GLOBO. Essa dica eu seguirei integralmente. Por favor, estimado leitor, leia sempre minha coluna. Esta é a primeira. Tenho a impressão de que ela pode melhorar com o tempo e a prática.

deu uma sugestão muito importante, que também me será muito útil e certamente vou seguir. “Escreva sobre o que você conhece e gosta. Escreva sobre jornalismo. Você passou os últimos anos chefiando uma redação, sabe como anda essa indústria. Escreva sobre isso”. Vou escrever, certamente. Acho que até vou instituir um cantinho na coluna só para tratar de jornalismo, jornais e jornalistas.

me mandou um artigo de William Safire ensinando Mikhail Gorbachev a escrever colunas. Escrito em fevereiro de 1992 para o “New York Times”, Safire mostrava alguns caminhos importantes que poderiam ser trilhados pelo ex-líder soviético que estreava uma coluna mensal no italiano “La Stampa”.

Há muitos ensinamentos ali, mas dois deles devem ser seguidos obrigatoriamente. “Leitores estão mais interessados em pessoas reais do que em conceitos vazios”. “Não puxe o saco de ninguém”.

é mineiro de Além Paraíba, todo mundo sabe. Nessa condição, preferiu elogiar a orientar o seu amigo. Ele me disse que estava tranquilo quanto ao meu futuro na carreira de colunista. Seria, segundo ele, só usar aquilo que eu aprendi comigo mesmo ao longo dos últimos anos. Bom, de certa forma o generoso amigo tem razão, é por aí mesmo que eu vou começar.

, que começa cada dia às seis da manhã, me alertou que coluna boa é aquela que resulta de trabalho e suor. “Tem que trabalhar muito. Talento é obrigatório, mas não basta’’. Como não tenho certeza sobre o meu talento, vou ter que ralar, gastar sola de sapato para trazer ao estimado leitor uma coluna que lhe dê prazer em ler.

E, por fim, já terminando, vou me valer do ensinamento universal de Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, o poeta e prêmio Nobel de Literatura : ‘‘Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto. No meio você coloca as ideias’’.

Vamos em frente.

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