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O legado de Cabral: servidores sem salários, obras paradas e abandono na Uerj

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RIO — O juiz Sergio Moro foi claro: a corrupção praticada pelo ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) levou, ao lado de outros fatores conjunturais, à situação “quase falimentar” do estado do Rio. O magistrado condenou Cabral a 14 anos de prisão, na primeira sentença de uma série que está por vir — ele é réu em outros nove processos criminais. Enquanto isso, seu sucessor, Luiz Fernando Pezão (PMDB), lida com uma dívida de R$ 108,5 bilhões, e os servidores públicos enfrentam atrasos salariais desde o ano passado — maior parte ainda não recebeu os vencimentos de abril.

Para lidar com uma folha de pagamento que não cabe dentro da arrecadação mensal, o governo dividiu os servidores em duas classes: os da Educação e Segurança recebem antes, enquanto o restante lida com uma espera maior. O 13º ainda não foi pago a ninguém.

Os atrasos salariais, o abandono da Uerj e a situação crítica das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) são algumas das faces da crise. Obras como a construção da estação Gávea, parte do projeto original da Linha 4 do metrô, estão paradas por falta de dinheiro.

Pezão não associa o caos financeiro aos desvios de Cabral. A derrocada da atividade econômica, que diminuiu a arrecadação com o ICMS, e a queda do preço do barril de petróleo são motivos apontados com frequência. Economistas lembram que o governo desrespeitou um princípio fiscal básico: usou receitas extraordinárias, como as que vêm dos royalties, para custear gastos obrigatórios. O governador, agora, aposta no Regime de Recuperação Fiscal, que suspende o pagamento das dívidas estaduais com o governo federal. O projeto já foi sancionado pelo presidente Michel Temer, mas a assinatura do termo entre o Rio e a União ainda precisa de detalhes para ser concretizada.

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