Aurelio Stievani tinha 24 anos e era aluno da Politécnica quando se alistou. Formou-se engenheiro civil no ano seguinte do conflito. O batalhão, formado por universitários, viria a ser chamado de 14 de julho, em referência ao dia em que partiu de São Paulo para Itararé, na fronteira com o Paraná. O batalhão universitário era um entre as dezenas que se formaram espontaneamente logo depois de 9 de julho quando as forças paulistas lideradas pelo general Isidoro Lopes tomaram o Estado e iniciaram a marcha para o Rio.
O diário relata 37 dias em que Stievani esteve em ação no setor sul. No total, foram 41. Os últimos quatro relatam seus dias no hospital, para onde foi depois de ter apanhado uma forte gripe - "tenho todos os membros entorpecidos", escreveu da trincheira em Bury, um pouco antes de subir num caminhão e partir para o hospital.
O diário, só agora revelado, ficou com Stievani até sua morte, em 1982. Após a morte, os pertences de Stievani, no meio deles o diário, foram entregues ao seu primo, Tito Nalon. Mas foi só seu filho, Renzo Nalon, quem o descobriu em meio a diversos documentos. Depois de quase 80 anos desconhecido, o entregou à sobrinha de Stievani, Terezinha Olcese Smith. Agora Terezinha, que mora nos EUA, espera entregá-lo aos filhos de Stievani. Confira abaixo alguns trechos - outros relatos estão no site do Estadão Acervo.
17 de julho - "O 3º Pelotão da 3ª Cia. recebe ordem para seguir para trincheira. Enchem-nos de inveja"
18 de julho - A artilharia inimiga "procura nos localizar". "Ordem de destravar as armas. Silêncio. Atenção. Alça de mira a 1.200 metros posição 1/8 a direita! Fogo! E o nosso pelotão, firme e atento despejou bala. Foi linda a nossa fuzilaria"
22 de julho - Chega ordem de retirada para Itapetininga, "cena idêntica à de Itararé (...) o inimigo foi visto"
31 de julho - "Comprei um fuzil e dei o nome de Boi-tá-tá. E que carinho a gente cria com um fuzil novo"
17 de agosto - "Iniciou-se novamente o tiroteio e esta vez eles localizaram a trincheira e atiram fortemente". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


