O nível de anticorpos cai rapidamente após a infecção por Covid-19, segundo informou dois estudos britânicos publicados nesta semana. Uma das pesquisas, feita pelo King's College de Londres com 96 pessoas, já havia sido divulgada de forma preliminar em julho e foi publicada na segunda-feira (26), depois de ser revisada por outros cientistas, em uma revista do grupo "Nature", um dos mais importantes do mundo.
Segundo um site de notícias do Globo, o segundo estudo, ainda não publicado e divulgado nesta terça (27) em uma versão prévia, é do Imperial College de Londres, e envolveu 365 mil pessoas.
As conclusões dos estudos já publicado, mostra que os cientistas fizeram um estudo ao longo do tempo, com as mesmas 96 pessoas, coletando soro de 65 pacientes e 31 profissionais de saúde que já haviam se recuperado da Covid-19. As coletas foram feitas várias vezes até 94 dias (cerca de 3 meses) depois do início dos sintomas. Os pesquisadores descobriram que 95% dos pacientes desenvolveram anticorpos contra o Sars-CoV-2 após o oitavo dia desde o início dos sintomas.
A concentração de anticorpos decaiu, em todos analisados, após um pico inicial – e o tamanho desse pico dependia da gravidade da doença. Segundo os pesquisadores, os resultados podem sugerir que uma dose de reforço seja necessária em eventuais vacinas contra a Covid-19.
Já as conclusões do estudo ainda em prévia, mostra que os pesquisadores fizeram três rodadas de testes para detectar anticorpos contra o Sars-CoV-2. Na primeira rodada, foram testadas 99.908 pessoas; na segunda, 105.829; e, na terceira, 159.367. Ao contrário do estudo do King's College, foram analisadas pessoas diferentes em cada etapa.
Na primeira rodada, 6% dos pacientes testados tinham anticorpos contra a Covid-19; na segunda, o número caiu para 4,8%; e, na terceira, para 4,4%.
Segundo os cientistas, os resultados sugerem a possibilidade de diminuição da imunidade da população contra o novo coronavírus ao longo do tempo – o que aumentaria a possibilidade de reinfecção.
Casos de reinfecção pelo novo coronavírus já foram confirmados ao redor do mundo, de forma pontual. No estudo do Imperial College, os pesquisadores lembram que, para haver prova definitiva da reinfecção, é necessário haver um sequenciamento genético do vírus, o que "raramente é possível na prática", afirmam.


