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‘Não vou, não tenho nada pra falar’ com Temer, diz deputada tucana

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BRASÍLIA - No mesmo dia em que a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer começa a andar para valer na Câmara, ele receberá 42 deputados da base aliada em seu gabinete no Palácio do Planalto. A lista de convidados do presidente é vasta e passa por membros da bancada ruralista, líderes de diversos partidos da base, deputados de pouca expressão e que são quase anônimos no mar de 513 deputados, e há até quem diga que não foi convidada. É o caso da deputada Shéridan, que disse que não tem nada para conversar com Temer e o acusou de estar fazendo "campanha" e "escambo" para tentar se safar novamente de uma denúncia na Câmara. Ela usou o Twitter para antecipar sua posição sobre a denúncia, dizendo que o governo começa uma "saga para defender o indefensável".

A tucana ficou conhecida por ser relatora da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma política que acaba com as coligações e cria a cláusula de barreira. E embora negue a classificação, é ligada aos chamados "cabeças pretas", ala dissidente do PSDB que defende o rompimento do partido com o governo. Na primeira denúncia contra Temer, Shéridan não compareceu ao plenário e portanto não votou.

— Não vou, não tenho nada pra falar com ele agora, esse escambo não é a forma que trabalho, e qualquer coisa que ele resolva exclusivamente agora não existe remendo que não diga que não seja uma campanha . Existem corruptos e corruptores, não sou nenhum dos dois — disse Shéridan ao GLOBO.

Na ampla lista de deputados que marcharão da Câmara rumo ao Planalto há até deputados que irão duas vezes. Sozinhos e depois junto com um grupo de colegas. É o caso de Édio Lopes (PR-PR) e Alceu Moreira (PMDB-RS), ambos membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeira etapa de julgamento da denúncia apresentada pelo ex-procurador geral da República Rodrigo Janot acusando Temer de organização criminosa e obstrução de Justiça. Além de Temer, também são acusados na mesma peça os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral). Temer também investirá sobre membros do PSB que apesar do rompimento do partido com o Planalto continuam aliados ao presidente, e sobre líderes de partidos pequenos, como o Professor Victorio Galli (PSC-MT), que comanda uma bancada de dez deputados, e Luís Tibé, líder do Avante (antigo PT do B), que reúne quatro deputados.

A maratona de audiências começou às 10h com Rogério Marinho (PSDB-RN) e só se encerra oficialmente às 21h20 com Dâmina Pereira (MG), que representa metade da bancada que o PSL possui na Câmara.

Amanhã a defesa do presidente apresentará seus argumentos contraditando a denúncia. O relator escolhido para apresentar um parecer da CCJ sobre o caso é o deputado Bonifácio Andrada (PSDB-MG), que em agosto votou pelo arquivamento da primeira denúncia apresentada por Janot contra Temer. Daquela vez a acusação era de corrupção passiva.

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