SÃO PAULO — O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira não ter nenhuma preocupação com a possibilidade de o ex-ministro Antonio Palocci firmar um acordo de delação premiada. Em entrevista ao SBT Brasil”, o petista disse ainda que o juiz Sérgio Moro não pode julgar a quantidade de testemunhas que ele indicou no processo sobre a compra de um sítio em Atibaia.
Lula destacou que Palocci é seu “amigo, fundador do PT e uma das maiores inteligências políticas do Brasil”.
— Não tenho nenhuma preocupação com a delação do Palocci
O ex-presidente acusou novamente o Ministério Público Federal de pressionar os delatores a falarem dele. Também negou novamente ter medo de ser preso.
— Alguém para ser preso tem que ter cometido um crime. Temos que levar em conta a situação em que o Léo (Pinheiro, ex-presidente da OAS) deu o seu depoimento. Todo mundo já deu que o Léo vem há dois anos sendo pressionado para citar o meu nome. O cara está condenado a 26 anos de cadeia.
Como já havia declarado anteriormente, o ex-presidente negou ter pedido qualquer dinheiro a empresários.
— Eu duvido que tenha um empresário neste país que diga que o Lula pediu R$ 10.
E ressaltou que é investigado há mais de três anos e que não vê problema em continuar sendo.
— Mas se não encontrarem nada, pelo amor de Deus, tenham a grandeza de usar a palavra desculpa.
Lula também acusou o Ministério Público de mentir no processo sobre o apartamento tríplex no Guarujá.
— O Ministério Público começou mentindo e continua mentindo sobre esse processo.
O ex-presidente ainda classificou de “surreal” a acusação feita por Marcelo Odebrecht de que o setor de propinas da empreiteira tinha uma conta com o nome de “amigo” para fazer repasses a ele.
— Estou cansado de brincadeira com meu nome, estou cansado de achincalhamento.
O petista também afirmou não ver problema na mudança da data de seu depoimento a Moro do dia 3 para o dia 10 de maio.
— No tenho problema com a data. Estou com muita vontade dar esse depoimento porque vai ser a primeira oportunidade de poder dizer na frente do Moro o que eu penso.
Por outro lado, se queixou da limitação feita pelo magistrado ao número de testemunhas que indicou no processo sobre a compra do sítio de Atibaia.
— Se for necessário, eu me mudo para Curitiba. Mas a gente não vai abrir mão de uma testemunha que a gente ache importante. O juiz Moro não pode julgar a quantidade de testemunhas.

