BRASÍLIA — O relator da , deputado (PMDB-MS), ironizou o fato de o diretor jurídico do grupo da JBS, , ter virado delator. Marun afirmou que, como o advogado estava totalmente envolvido no caso, acabou sendo obrigado a colaborar. Assis prestou depoimento, nesta quarta-feira, à comissão, em sessão secreta.
— Não tem como ficar tão perto da merda e não sair fedendo — afirmou o peemedebista.
Marun disse ser um "constrangimento" para o advogado ter virado delator. Ele voltou a criticar a colaboração dos executivos da empresa e afirmou que há muitos "ineditismos" no caso, o que geraria suspeitas, na sua visão.
— É muita coisa inédita acontecendo junto para que eu acredite que seja um acaso — afirmou o relator.
De acordo com Marun, o diretor jurídico do grupo da JBS contou que esteve com Marcello Miller no dia 12 de fevereiro e que no dia 17 do mesmo mês o apresentou ao executivo Ricardo Saud. Os encontros ocorreram antes do dia 23 de fevereiro, quando Miller pediu exoneração do cargo de procurador. Francisco disse aos parlamentares não saber que Miller ainda atuava no Ministério Público quando o conheceu e admitiu a ajuda dele na elaboração dos documentos entregues na delação.
— Ele (Francisco) disse que o Marcello Miller contribuiu na formatação dos documentos — afirmou o relator da CPI.
De acordo com o relato feito por Marun, o diretor jurídico do grupo disse ter ligado no dia 19 para o procurador Anselmo Lopes e no dia seguinte o informou do desejo dos executivos, entre eles os irmãos Batista, de fazer delação. Anselmo, então, os encaminhou à Procuradoria-Geral da República pelo fato de a colaboração envolver pessoas com foro privilegiado. No dia 21, então, Francisco contou ter se reunido com Sérgio Bruno, coordenador da força-tarefa pela primeira vez. No dia 4 de março, Eduardo Pellela, chefe de gabinete do ex-procurador Rodrigo Janot, o teria recebido para tratar do tema.
Todos esses encontros ocorreram antes da gravação feita por Joesley com o presidente Michel Temer, que ocorreu em 7 de março. O procurador-geral, Rodrigo Janot, no entanto, só teria começado a participar do caso em 24 de março, quando foi assinado o termo de confidencialidade da delação.

