O que a professora que idealizou um projeto revolucionário de ensino de robótica e o criador da Olimpíada Digital, que ensina sobre temas essenciais para o futuro, ambos em escolas públicas, têm a contribuir para a transformação do ensino no Brasil?
Débora Garofalo, reconhecida internacionalmente como educadora mais influente do mundo, destaca o protagonismo juvenil e a importância da intencionalidade em projetos de aprendizagem de tecnologia.
"Não é só tecnologia, é intencionalidade. Esse é o maior legado que eu posso trazer hoje de contribuição para a nossa educação. É mostrar o poder que nós temos", afirmou a educadora no painel A maior tecnologia da educação ainda é um aluno que acredita que pode mudar o mundo, do São Paulo Innovation Week, nesta quarta-feira, 13, na Faap. A criadora do projeto Robótica com sucata vê como essencial democratizar o acesso à tecnologia e inovação no País.
Esse também é o objetivo da Olimpíada Digital, que já impactou mais de 40 mil jovens de 13 a 25 anos. Até então sediada no Rio de Janeiro, a iniciativa quer ampliar seu alcance nacional em 2026. Ela consiste em jornadas de aprendizagem online, gamificadas e conversacionais, que podem ser adotadas de maneira espontânea e gratuita por educadores do ensino público em sala.
Para o fundador da learning tech Joco e criador da Olimpíada, Fernando Tchê Gouvêa, também presente no evento, o conhecimento sobre as novas tecnologias pode ser mais uma barreira social. O projeto visa, segundo ele, a "fazer com que o jovem de escola pública possa ter uma melhor consciência sobre as mudanças que estão sendo trazidas para o mundo por meio das novas tecnologias, para construir melhores futuros em vez de ficar à mercê delas".
Entre os temas da olimpíada neste ano, estão bets e educação financeira, igualdade de gênero e violência digital, uso consciente das redes e como trabalhar com a inteligência artificial sem "atrofiar" o cérebro.
Para Gouvêa, é preciso usar os poucos bons exemplos tecnológicos em prol da educação.
Qual o papel dos professores?
Débora destaca a "humanização" das tecnologias e coloca a relação entre professores e alunos no centro da transformação que precisa acontecer na educação. Mas aponta a formação e valorização dos professores como desafio.
"Nós professores não fomos formados, não fomos preparados para lidar com toda essa tecnologia. Esses meninos e meninas, por outro lado, nasceram nessa era digital; é da personalidade deles. A educação precisa mudar", alerta a educadora. Para ela, os professores devem trazer a tecnologia com equilíbrio para o aprendizado dos alunos, buscando o engajamento e adequação às suas formas de aprendizagem.
"A gente entendeu que ninguém substitui o professor porque educação é humana, é relação", disse.
São Paulo Innovation Week
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta,15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.




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