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Na CCJ, deputados da base citam economia para defender Temer

BRASÍLIA — () da para analisar o parecer do relator Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) sobre a contra o presidente , a oposição ganhou em número de discursos. Deputados da Rede, do PSOL e do PT se revezaram para citar trechos da denúncia e dizer que a acusação é repleta de provas contra o presidente. Os defensores de Temer, por outro lado, optaram por trazer dados econômicos argumentando que o Brasil caminha para uma maior estabilidade nessa área.

Entre os aliados, quem tratou da denúncia em si usou como mote o que foi a tese central do relatório de Bonifácio de Andrada: a de que a política está sendo criminalizada pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, e que essas entidades vêm cometendo abusos.

— A inflação, que era 11% e agora é 2%, os empresários de supermercado estão dizendo que aumentou o poder de compra. A comida está mais barada, a roupa está mais barata, morar está mais barato e isso deixa nervosa a oposição — disse o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), da tropa de choque do governo.

Temer foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), ao lado dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral), por organização criminosa e obstrução à Justiça. Num voto contundente na última terça-feira, o relator Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) recomendou o arquivamento da peça acusatória.

Outro ponto em comum entre os defensores de Temer é a desqualificação dos delatores Joesley e Wesley Batista, executivos da JBS, cujos depoimentos embasaram a denúncia apresentada pelo Ministério Público. E o discurso de que o presidente é alvo de uma conspiração tramada pelo autor da denúncia, Rodrigo Janot. Essa tese passou a ser encampada por Temer pessoalmente e consta da carta enviada por ele ontem a mais de 300 parlamentares.

Um dos últimos a falar em favor de Temer nessa primeira etapa das discussões foi o deputado Paulo Maluf (PP-SP), lembrando que conhece o presidente há 35 anos. Para ele, a acusação se resume à arrecadação de recursos por Temer em 2012 para a campanha do então candidato ao governo de São Paulo, Gabriel Chalita. Assim como outros que o antecederam na tarefa de apoiar o presidente, Maluf atacou Janot, lembrando das acusações feitas pelo procurador Ângelo Goulart, que foi preso e ao sair da prisão disse que Janot queria derrubar Temer porque o presidente pretendia nomear a atual procuradora geral da República, Raquel Dodge, como sua sucessora.

— O que Rodrigo Janot fez em termos de terrorismo aos investimentos internacionais não tem retorno.Rodrigo Janot nunca respondeu às acusações que se faziam de que ele não era contra Temer, ele era contra Raquel Dodge, e como Temer iria nomear Dodge ele era contra Temer. Janot jogou para a plateia. O mal que ele fez para a economia nacional com essas acusações falsas ele não paga porque isso não volta atrás — disse Maluf, contra quem pesa uma condenação de sete anos de prisão por lavagem de dinheiro.

Enquanto falava, Maluf foi interrompido pelo deputado Ivan Valente (Psol-RJ) e começou um breve bate-boca. Maluf fazia um histórico sobre Temer, dizendo que ele foi eleito presidente da Câmara, quando foi cortado por Valente, que lembrou que Eduardo Cunha também foi eleito para o mesmo cargo.

— Respeite o orador! — reagiu Maluf.

Na sua hora de discursar, Valente quis registrar que a maior parte das defesas do governo apenas tangenciava as acusações.

— Os aliados do presidente não discutem a denúncia, eles discutem economia. Eles não tocam no central, que é a denúncia e a materialidade das provas. No dia da votação no plenário, no bico do microfone, o que a gente vai ouvir é: pela estabilidade econômica, voto sim. Mas ele praticou crimes! Não importa, fechemos os ouvidos — afirmou.

Primeiro a discursar, Alessandro Molon (Rede-RJ) discorreu sobre a quantidade de provas que, na sua avaliação, existem na peça acusatória preparada pelo Ministério Público.

— Michel Temer participou da distribuição da propina arrecadada por todos os quase todos os participantes da organização criminosa. As provas são muitas, não apenas delações. São mensagens de texto mandadas por celular, telefones, extratos bancários, fotos, filmes, testemunhos, todo tipo de prova consta da denúncia —argumentou.

O deputado Major Olímpio (SD-SP) também fez um discurso inflamado, dizendo que a votação da denúncia "é um jogo de cartas marcadas", pois o governo conta com os votos necessários para barrar a denúncia. Mas ainda assim era importante marcar posição. Ele é favorável às investigações e por isso, quando da análise da primeira denúncia, foi retirado da lista de titulares da CCJ, e agora figura apenas como suplente, sem direito a voto.

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