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MPF investiga se mulher de Alves encomendou laudo falso para evitar transferência do marido

BRASÍLIA — O Ministério Público Federal investiga se a mulher do ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) pediu para que um médico falsificasse um atestado para evitar a transferência do marido, preso em Natal, para Brasília. Em conversa telefônica, interceptada pela Polícia Federal (PF) a pedido dos procuradores, Laurita Arruda disse ao ortopedista Walmar Martins que o advogado do ex-ministro entraria com uma petição e que se lembrou da "bursite dele (Henrique Alves)".

O diálogo integra a manifestação do Ministério Público Federal pedindo as prisões e buscas da operação Lavat, deflagrada nesta quinta-feira, que mirou assessores do ex-ministro que estariam cometendo crimes mesmo após ele ser preso, em junho, em um desmembramento da Lava Jato. Os investigadores pediram que medidas de busca e apreensão na clínica do médico, que foi realizada nesta manhã.

LAURITA: Eu recebi um telefonema agora do advogado e...e só me ocorreu seu nome porque...o advogado vai precisar entrar com uma petição pra reforçar a necessidade de Henrique ficar aqui. Não ser transferido, entendeu?

WALMAR: Sim.

LAURITA: Aí eu me lembrei da bursite dele. A necessidade dele fazer tratamento e acompanhamento aqui. Então eu tava precisando de um atestado nesse sentido.

WALMAR: Sim. Certo.

LAURITA: O senhor poderia fazer. Eu poderia mandar buscar?

WALMAR: Pode. Pode sim. Pode sim. Tem problema nenhum, não.

LAURITA: Aí, colocando bem...vamos dizer, no mais alto grau da bursite, entendeu?

WALMAR: Certo, certo.

"Em relação a ela (Laurita Arruda), merece destaque diálogo interceptado em investigação distinta, compartilhado no caso, em que Laurita Arruda aparentemente providencia um laudo médico falso, perante o ortopedista Walmar Martins, acerca do estado de saúde de Henrique Alves", escreveram os procuradores.

O laudo médico foi usado no habeas corpus impetrado pela defesa de Henrique Eduardo Alves no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) para evitar a transferência do político de Natal para Brasília.

Na conversa telefônica, Laurita disse que o marido "tomou injeção" e que "ainda sente muita dor". Ela diz ainda que o documento “ajudaria”.

WALMAR: O ombro atingido dele é o ombro...esquerdo, é?

LAURITA: Direito.

DR. WALMAR: Direito. Certo. Ok. Eu vou preparar isso aqui. É Henrique Eduardo...

LAURITA: Lyra, com "ípsilon", Alves.

DR. WALMAR: Tá.

LAURITA: E ele realmente está lá. Magno tá indo. Ele tomou injeção. Realmente ainda sente muita dor. E aí seria uma, um documento que ajudaria a gente, sabe?

DR. WALMAR: Entendi, entendi. Tá certo.

LAURITA: Tá certo?

DR. WALMAR: Eu preparo isso aqui e cê pode mandar pegar hoje a tarde.

LAURITA: Mando. Eu posso mandar que horas, Dr.Walmar?

DR. WALMAR: Depois das 14h. 14h30 mais ou menos.

LAURITA: Tá ótimo.

DR. WALMAR: Tá certo? (Incompreensível).

LAURITA: Muito obrigado.

DR. WALMAR: Nada.

LAURITA: Tá. Muito obrigada.

DR. WALMAR: Tchau Laurita. Que dê tudo certo. Torcendo pra que vai dar tudo certo, viu?”.

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