BRASÍLIA — O investiga se a mulher do ex-ministro (PMDB-RN) pediu para que um médico falsificasse um atestado para evitar a transferência do marido, preso em Natal, para Brasília. Em conversa telefônica, interceptada pela (PF) a pedido dos procuradores, disse ao ortopedista que o advogado do ex-ministro entraria com uma petição e pede um documento que ateste “o mais alto grau da bursite”.
Além disso, em outra conversa interceptada a filha do ex-ministro, Andressa de Azambuja, falou com Paulo José Rodrigues da Silva, motorista e assessor pessoal do pai, sobre a simulação de uma doença de Henrique Alves.
O diálogo integra a manifestação do Ministério Público Federal pedindo as prisões e buscas da operação Lavat, deflagrada nesta quinta-feira, que mirou assessores do ex-ministro que estariam cometendo crimes mesmo após ele ser preso, em junho, em um desmembramento da Lava Jato. Um mandado de busca e apreensão na clínica do médico foi cumprido nesta manhã. A casa de Laurita também foi alvo de buscas.
: Eu recebi um telefonema agora do advogado e...e só me ocorreu seu nome porque...o advogado vai precisar entrar com uma petição pra reforçar a necessidade de Henrique ficar aqui. Não ser transferido, entendeu?
: Sim.
: Aí eu me lembrei da bursite dele. A necessidade dele fazer tratamento e acompanhamento aqui. Então eu tava precisando de um atestado nesse sentido.
: Sim. Certo.
: O senhor poderia fazer. Eu poderia mandar buscar?
: Pode. Pode sim. Pode sim. Tem problema nenhum, não.
: Aí, colocando bem...vamos dizer, no mais alto grau da bursite, entendeu?
: Certo, certo.
"Em relação a ela (Laurita Arruda), merece destaque diálogo interceptado em investigação distinta, compartilhado no caso, em que Laurita Arruda aparentemente providencia um laudo médico falso, perante o ortopedista Walmar Martins, acerca do estado de saúde de Henrique Alves", escreveram os procuradores.
O laudo médico foi usado no habeas corpus impetrado pela defesa de Henrique Eduardo Alves no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) para evitar a transferência do político de Natal para Brasília.
Na conversa telefônica, Laurita disse que o marido "tomou injeção" e que "ainda sente muita dor". Ela diz ainda que o documento “ajudaria”.
: O ombro atingido dele é o ombro...esquerdo, é?
: Direito.
: Direito. Certo. Ok. Eu vou preparar isso aqui. É Henrique Eduardo...
: Lyra, com "ípsilon", Alves.
: Tá.
: E ele realmente está lá. Magno tá indo. Ele tomou injeção. Realmente ainda sente muita dor. E aí seria uma, um documento que ajudaria a gente, sabe?
: Entendi, entendi. Tá certo.
: Tá certo?
: Eu preparo isso aqui e cê pode mandar pegar hoje a tarde.
: Mando. Eu posso mandar que horas, Dr.Walmar?
: Depois das 14h. 14h30 mais ou menos.
: Tá ótimo.
: Tá certo? (Incompreensível).
: Muito obrigado.
: Nada.
: Tá. Muito obrigada.
: Tchau Laurita. Que dê tudo certo. Torcendo pra que vai dar tudo certo, viu?”.

