A partir do relato de cinco PMs que ficaram dentro de um contêiner e colaboraram com a investigação prestando depoimento, foi possível ouvir de dentro da estrutura de metal a sessão de suplício e reconhecer vozes que indicam a presença ativa do soldado Anderson Maia, do tenente Luiz Medeiros, do soldado Douglas Vital e do sargento Reinaldo Gonçalves.
De acordo com Eliza, a sessão de tormento aconteceu atrás do equipamento da UPP, no alto da favela da Rocinha. O pedreiro teria sido submetido a afogamento, com a cabeça dentro de um balde d'água, asfixia com saco plástico e choques elétricos com pistola Taser, de uso restrito e controlado pelo Exército. Ainda segundo a promotora, o corpo teria sido retirado pelo telhado e enrolado pela capa da motocicleta de um dos PMs, atada com fita-crepe. O MPRJ não conseguiu avançar nas apurações sobre o destino dado ao cadáver de Amarildo.
Denúncias
Do total de 25 PMs denunciados até agora, oito foram enquadrados por omissão - teriam condições de parar a tortura e nada fizeram para cessá-la. Houve ainda 17 acusados por ocultação de cadáver, quatro por fraude processual e 13 por formação de quadrilha. Eliza afirma que o major Edson dos Santos, comandante da UPP na época do crime, cometeu fraude por duas vezes: uma, quando teria forjado um telefonema atribuído ao traficante Catatau em que ele diz ter sido responsável pela morte do pedreiro e outra por ter, supostamente, jogado óleo sobre o piso da área onde a sevícia ocorreu, para despistar a perícia em busca de gotas de sangue no local.
No caso da ligação de Catatau , os peritos descobriram que a voz que seria dele era, na verdade, de um policial, que ligara para um número que Santos sabia estar grampeado para imputar aos traficantes a morte de Amarildo. Na análise da promotora, o major liderava a quadrilha e estava na sede da UPP durante todo o tempo que o pedreiro era torturado. O corregedor da Polícia Militar, Cezar Augusto Tanner, que estava ao lado dos promotores do Ministério Público, afirmou que "os PMs envolvidos vão parar de trabalhar a partir de agora" e elogiou o trabalho dos representantes do MPRJ.

