SÃO PAULO. O juiz Sergio Moro negou o pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para suspender o interrogatório do empreiteiro Marcelo Odebrecht, nesta segunda-feira, na ação em que o petista responde por supostas vantagens indevidas recebidas da Odebrecht.
O depoimento de Lula está agendado para o dia 13 de setembro, em Curitiba. Antes dele, devem falar a partir das 14h de hoje o empresário Marcelo Odebrecht e o ex-ministro Antonio Palocci, agendado para quarta-feira (dia 6).
Os advogados de Lula alegam que houve cerceamento de defesa, pois a defesa não teria tido acesso à integra de todos os documentos da contabilidade paralela da Odebrecht - os sistemas My Web Day e Drousys - abrigados em servidores de Angola, Suíça e Suécia, e pede prazo de 30 dias para análise, contados a partir do dia em que as informações forem disponibilizadas à defesa.
Em delação premiada, o empresário Marcelo Odebrecht disse que Lula foi beneficiado com a compra, por R$ 12 milhões, de um imóvel em São Paulo que seria destinado ao Instituto Lula, mas não foi usado. A empreiteira também teria desembolsado cerca de R$ 500 mil por uma cobertura vizinha ao apartamento de Lula em São Bernardo do Campo, que foi colocada em nome de Glaucos Costamarques, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente. A família Lula ocupa a cobertura e afirma que paga aluguel.
Os valores teriam saído do Setor de Operações Estruturadas da empresa, que ficou conhecido como departamento de propina, e os valores destinados ao PT eram relacionados na planilha Italiano - administrada por Palocci - e pós-italiano - administrada pelo ex-ministro Guido Mantega. Os valores que seriam para Lula estariam relacionados com o codinome Amigo, como o ex-presidente era chamado dentro da empresa.

