O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agendou para as próximas semanas as oitivas de testemunhas nos núcleos 3 e 4 do inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro no poder. As audiências acontecerão entre os dias 14 e 23 de julho, com depoimentos de testemunhas de acusação, indicadas pela PGR, e de defesa, apresentadas pelos próprios réus.
O núcleo 3 reúne militares da ativa e da reserva, identificados como “kids pretos” ou forças especiais, e é apontado pela Polícia Federal como responsável por um plano de ação armado, chamado “Punhal Verde e Amarelo”, que teria como objetivo assassinar Lula e Alckmin em dezembro de 2022. Já o núcleo 4 concentra os acusados de espalhar desinformação contra o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas.
Entre os nomes investigados nos dois núcleos estão oficiais de alta patente do Exército, agentes da Polícia Federal e ex-integrantes da Abin. A PGR apresentou denúncia formal contra Bolsonaro e outros 33 envolvidos por crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e participação em organização criminosa.
A ação penal foi dividida em cinco núcleos pela PGR, sendo o "núcleo central" composto pelo próprio ex-presidente e pelo general Braga Netto, que foi seu candidato a vice em 2022. Segundo o Ministério Público, o grupo atuou de maneira coordenada para impedir a posse do presidente eleito Lula, por meio de desinformação, articulação militar e ações operacionais.
As oitivas representam mais uma etapa no avanço do processo que investiga os ataques à democracia e os bastidores da tentativa de ruptura institucional no país. Moraes, relator do caso, também afirmou anteriormente que Bolsonaro tinha conhecimento e discutiu a minuta de decreto golpista com aliados próximos.



