Durante o julgamento da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, o ministro Luiz Fux fez críticas à velocidade com que o processo avançou no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, o intervalo de apenas 161 dias entre o recebimento da denúncia pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e o início do julgamento é considerado curto para um caso de tamanha complexidade jurídica e política.
Fux destacou que processos semelhantes, como o do mensalão, levaram anos para serem julgados, e alertou que a celeridade pode comprometer princípios fundamentais como o direito à ampla defesa e ao contraditório. Para o ministro, o STF deve manter rigor técnico e respeitar os tempos processuais, sem se deixar influenciar por pressões externas ou expectativas públicas.
Além da crítica ao ritmo do julgamento, Fux também divergiu dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino quanto à competência do STF para julgar Bolsonaro. Em sua avaliação, o caso deveria ser analisado inicialmente por instâncias inferiores, o que poderia garantir maior equilíbrio e respeito ao devido processo legal.
A fala de Fux foi recebida com entusiasmo pela defesa do ex-presidente, que vê na manifestação do ministro uma possível abertura para contestar a legalidade do julgamento. O processo segue em andamento, com expectativa de novos votos e definição sobre a responsabilização dos envolvidos.


