BRASÍLIA — O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), vai julgar nesta sexta-feira as ações apresentadas pelo PSOL e pela Rede contra a nomeação de Moreira Franco para o cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. O peemedebista está com a sua situação no governo indefinida desde a última quarta-feira, quando uma para o cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Nesta quinta-feira pela manhã, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília, . Em seguida, nova reviravolta: uma . À noite, .
Existem no STF duas ações, apresentadas pelo PSOL e pela Rede, contra a nomeação de Moreira Franco. Ontem, Celso de Mello prometeu julgá-las até esta sexta-feira. Ele já recebeu um memorial sobre o assunto da advogada-geral da União, Grace Maria Fernandes. Antes de decidir, Celso de Mello vai levar em consideração os argumentos do governo e da oposição. Ele explicou que os juízes que deram liminar até agora estão no exercício correto da função, porque eram ações populares. O foro desse tipo de ação é a primeira instância da Justiça Federal.
- Os juízes de primeiro grau têm competência em sede de ação popular. Mandado de segurança obviamente deve ser no Supremo, porque o ato apontado como coator emana do presidente da República - declarou.
Nas ações ajuizadas no STF, os partidos argumentam que a nomeação não tem a finalidade de aprimorar o corpo técnico da equipe de Michel Temer, mas sim de dar a Moreira Franco o direito ao foro especial. O nome do político foi citado na delação premiada dos executivos da Odebrecht, o que poderá gerar novos inquéritos na Lava-Jato.
"O ato praticado implica intervenção direta, por ato do presidente da República, em órgãos do Poder Judiciário, com deslocamento de competência e obstrução da Justiça. As investigações contra Moreira Franco, que tramitam perante a 13ª Vara Federal de Curitiba, seriam deslocadas para a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, instância onde tramitam as investigações da Lava-Jato dos privilegiados pelo foro", argumenta o PSOL na ação.
Com a situação profissional em suspenso, Moreira Franco suspendeu a agenda de trabalho e ficou em casa à espera de uma definição jurídica. Um assessor presidencial disse ao GLOBO que a expectativa de Michel Temer era de que Celso de Mello restabelecesse Moreira no posto de ministro. Temer chegou a ser aconselhado por auxiliares a sugerir uma licença a Moreira até que sua situação se resolvesse. No entanto, o governo prefere apostar numa definição do STF.
Quando soube da segunda liminar suspendendo a atuação de Moreira, Temer se mostrou "indignado", segundo relatos de auxiliares, com a justificativa da juíza Regina Coeli Formisano, da 6ª Vara Federal do Rio. Em sua decisão, a juíza pediu "perdão" a Temer pela "insurgência", mas alegou que estava sendo leal a lições de Direito aprendidas com ele. Temer chegou a pensar em responder a Regina Coeli Formisano, mas acabou sendo contido pelos auxiliares.
"Peço, humildemente, perdão ao Presidente Temer pela insurgência, mas por pura lealdade às suas lições de Direito Constitucional. Perdoe-me por ser fiel aos seus ensinamentos ainda gravados na minha memória, mas também nos livros que editou e nos quais estudei. Não só aprendi com elas, mas, também acreditei nelas e essa é a verdadeira forma de aprendizado", escreveu a juíza em sua decisão.
Regina Coeli foi um dos magistrados que suspendeu a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao cargo de ministro da Casa Civil, em março do ano passado. A juíza viu na nomeação de Moreira o mesmo propósito de garantir foro privilegiado: "Tudo leva a esse entendimento, especialmente pelo fato de que referida recriação de ministério já extinto, em cumprimento a promessas de redução da estrutura estatal, ter-se dado de forma açodada e através de Medida Provisória, que tem por pré-requisito providências urgentes e inadiáveis".
A magistrada disse ter conhecimento da distribuição de diversas ações similares por todo o país pedindo a suspensão da nomeação e comparou a atitude de Temer ao nomear Moreira com a de Dilma ao indicar Lula.
"Por outro lado, também não se afigura coerente, que suas promessas ao assumir o mais alto posto da Republica sejam traídas, exatamente por quem as lançou no rol de esperança dos brasileiros, que hoje encontram-se indignados e perplexos ao ver o seu Presidente, adotar a mesma postura da ex-presidente impedida e que pretendia também blindar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva", anotou a juíza.
À noite, o juiz Anselmo Gonçalves da Silva, da 1ª Vara Federal da Macapá, também concedeu liminar para suspender a nomeação de Moreira. A decisão do juiz de Macapá foi tomada a pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Para o parlamentar, a nomeação foi um episódio de "abuso imoral e escancarado" em que o presidente Michel Temer fez a nomeação para poder dar foro especial a Moreira Franco. Ele escreveu que o quadro é de "resplandecente desvio de finalidade".

