VILA VELHA - O ministro da Defesa, Raul Jungmann, informou neste sábado, em Vila Velha, que as tropas federais ficarão no Espírito Santo pelo tempo que for necessário, até que o policiamento volte a ser restabelecido. Os policiais militares do estado estão parados nos quarteis, por uma reivindicação de melhores salários, desde o sábado passado. Inicialmente, a Operação Capixaba, como é chamada a cessão de tropas federais ao Espírito Santo, tinha previsão de se estender até o próximo dia 16.
- A determinação do presidente da República é envolver todos os recursos necessários, pelo tempo que for necessário - disse Jungmann, em pronunciamento no 18º Batalhão de Infantaria, em Vilha Velha, região metropolitana de Vitória. - Quanto à PM, é um tema que cabe ao governo do estado, a quem vamos apoiar em todas as decisões que tomar. As reivindicações são justas, sabemos todos, mas o limite da legitimidade da reivindicação é a proteção e a vida da sociedade. Isso é inaceitável. Aqueles que são bons policiais, devem honrar seu juramento. Fazemos um apelo aos bons policiais que honrem suas fardas e seus juramentos e venham às ruas.
Com a Corregedoria da Polícia Militar decidiu retomar os indiciamentos de praças e oficiais que participam do movimento pelo crime de revolta armada, que prevê pena de 8 a 20 anos de prisão.
O acordo assinado entre o governo do Espírito Santo e entidades de classe de policiais, na noite de sexta-feira, não obteve adesão dos policiais na manhã deste sábado. Eles seguem dentro dos quartéis e mantêm a paralisação iniciada há uma semana, no sábado passado, enquanto as mulheres e familiares completam o movimento ocupando as entradas dos batalhões.
A Secretaria de Segurança confirmou, pouco antes das 9h, que a situação continua a mesma no estado, e que os policiais não voltaram às ruas, como pretendia o governo ao assinar o acordo com as entidades. As associações já não têm mais liderança sobre a maioria da tropa, e fez infrutíferas tentativas, durante a madrugada, de convencer os policiais a voltar para as ruas. Pelo acordo com o governo, quem deixasse os batalhões até as 7h deste sábado, estaria perdoado e não seria processado. Não havia aumento salarial previsto.

