A Polícia Federal interceptou uma troca de mensagens entre Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, em que o presidente sugere a demissão dele.
No diálogo, Bolsonaro se mostra chateado com uma entrevista de Moro concedida ao jornal Valor Econômico. No texto publicado, o ex-ministro afirma que a polícia poderia interferir de forma coercitiva para que a população cumprisse as medidas de isolamento social determinadas para conter a pandemia do coronavírus.
Bolsonaro sempre criticou o isolamento e a intervenção da polícia para obrigar as pessoas a se manterem em casa. Não demorou muito para que o presidente tomasse conhecimento da entrevista e reagisse.
Em tom de fúria, ele mandou a seguinte mensagem para o então ministro: "Se esta matéria for verdadeira: Todos os ministros, caso queira [sic] contrariar o PR [presidente da República], pode fazê-lo, mas tenha dignidade para se demitir. Aberto para a imprensa”.
Moro rebateu: "O que existe é o artigo 268 do CP [Código Penal]. Não falei com a imprensa". No fim, Moro de fato se demitiu e em seu pronunciamento oficial afirmou que o presidente tentava interferir na Polícia Federal e que teria exonerado Maurício Valeixo, na época, diretor-geral do órgão.
A PF também encontrou mensagens de que a saída de Valeixo teria sido ordenada por Bolsonaro e não voluntária como o presidente afirmou inúmeras vezes.



