Outros sete profissionais de saúde e um funcionário administrativo do hospital também foram punidos pela Prefeitura. O neurocirurgião Francisco Eduardo Penna Doutel de Andrade, que admitiu substituir Adão Crespo Gonçalves em vários plantões, foi suspenso por 30 dias. O cirurgião vascular Ênio Eduardo Lima Lopes, que chefiava a equipe de emergência no hospital na noite do Natal de 2012, foi suspenso por 15 dias.
O clínico Conrado Norberto Weber Júnior, que na época era diretor do Salgado Filho, ficará afastado por cinco dias. A cirurgiã vascular Valéria Santos Reis, então chefe da emergência da unidade, também foi punida com cinco dias de afastamento. Também foram punidos o neurocirurgião José Renato Ludolf Paixão (suspensão de cinco dias), a otorrino Eneida Pereira dos Reis (três dias) e a agente administrativa Flávia Guerreiro Lima da Silva (20 dias).
Indiciado pela polícia
O neurocirurgião Adão Crespo Gonçalves foi indiciado pela Polícia Civil do Rio pelo crime de omissão de socorro. O delegado Luiz Archimedes, da 23ª Delegacia de Polícia (Méier), decidiu indiciar Gonçalves após interrogar o neurocirurgião Francisco Doutel de Andrade, que chefiava a emergência do Salgado Filho na hora do episódio. Ele contou que era da mesma escala de Gonçalves há dois anos, mas nunca tinha visto o neurocirurgião. A pena para omissão de socorro é de um a seis meses de prisão, podendo ser triplicada em caso de morte.
À polícia Gonçalves afirmou que faltava aos plantões há mais de um mês antes do episódio por discordar das condições de trabalho no hospital. O médico alegou que uma resolução do Conselho Regional de Medicina determina que cada plantão tenha pelo menos dois médicos neurocirurgiões. Ele seria o único na especialidade a trabalhar na noite de 24 de dezembro, e disse ter avisado o chefe do setor de neurocirurgia do hospital sobre sua decisão de faltar. O responsável confirmou ter sido avisado, mas disse ter alertado o médico de que não havia substituto e por isso ele deveria trabalhar.
Adrielly foi atingida por um tiro quando brincava na porta de casa com a boneca que havia acabado de ganhar pelo Natal. O disparo teria partido de traficantes da Favela Urubuzinho, que comemoravam o Natal com tiros para o alto. Adrielly morava com a família entre as Favelas Urubu e Urubuzinho, em Pilares, na zona norte do Rio.


