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Lula chega a Curitiba para cumprir pena de 12 anos e 1 mês

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SÃO PAULO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Curitiba, na noite deste sábado, sob forte esquema de segurança para cumprir pena de 12 anos e um mês de prisão no caso do tríplex do Guarujá. O avião turbo-hélice que trouxe o líder petista aterrissou às 22h06 no aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, a 25 quilômetros da capital paranaense.

Do aeroporto, Lula será levado de helicóptero à Polícia Federal (PF) de Curitiba, onde apoiadores e detratores o aguardam desde às 17h de sexta-feira, quando acabou o prazo estipulado pelo juiz Sergio Moro para que o petista se entregasse as autoridades. É nesse mesmo prédio da superintendência da PF que estão presos na carceragem antigos aliados de Lula, como o ex-ministro Antonio Palocci e o empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS.

Lula não terá contato com eles, que estão na custódia. Inicialmente, a PF colocará o petista em uma sala no último andar do prédio, com banheiro privativo, janelas que dão para o corredor interno, TV, uma cama e uma mesa e cadeira. O espaço até então era usado pelos policiais que vinham de outras cidades para atuar em operações em Curitiba. A segurança ficará a cargo de agentes penitenciários que permanecerão 24 horas por dia na porta da sala.

Embora o ex-presidente comece a cumprir pena nessa noite, sua defesa continuará tentando nas cortes superiores sua liberdade. Mas enquanto está preso, lideranças petistas também foram para Curitiba. Pouco antes das 22h, pousou o avião fretado que trouxe para a capital paranaense a presidente do PT, Gleisi Hoffmann e o senador Lindbergh Farias (RJ), entre outros.

Na sede da PF, o líder petista estará a apenas três quilômetro do prédio da Justiça Federal, onde atua o juiz Sergio Moro, que ao longo do processo o ex-presidente o elegeu como algoz. Também estará próximo do edifício da força tarefa da Operação Lava-Jato, no centro da capital, onde atua o procurador Deltan Dallagnol, um dos principais responsáveis pelas investigações que levaram o petista a prisão. Ao longo do processo, a defesa de Lula tentou por mais de dez vezes afastar do caso o juiz Moro e os procuradores do Ministério Público Federal. Contudo, todos os recursos foram negados pela Justiça.

O processo do ex-presidente começou na Justiça Federal de Curitiba em setembro de 2016. Nove meses depois, o juiz Sergio Moro o condenou. Lula foi sentenciado inicialmente a nove anos e seis meses de prisão. Na ação sobre o tríplex, o presidente é acusado de receber R$ 3,7 milhões em vantagens indevidas da OAS no esquema de corrupção da Petrobras. O dinheiro vinha de uma "conta de propina" destinada ao PT e parte disso teria sido usado para a compra e reforma do apartamento tríplex no Guarujá atribuído ao ex-presidente.

Após a condenação em primeira instância, o recurso da defesa do petista foi julgado no Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4), em 24 de janeiro deste ano, quando sua pena foi aumentada para 12 anos e 1 mês de prisão.

O caso do tríplex remonta a 2003, quando a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) lançou um condomínio de alto padrão no Guarujá. Em 2005, a ex-primeira-dama Marisa Letícia adquiriu uma cota referente a um dos apartamentos do edifício Mar Cantrábico, depois rebatizado de Solaris, no valor de R$ 195 mil. A investigação sobre a transferência de empreendimentos da Bancoop para a OAS, entre eles o edifício no Guarujá, só começa em 2015, após reportagens do GLOBO.

Lula sempre negou as acusações. Ele afirma ser vítima de perseguição política.

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