SÃO PAULO. O lobista Jorge Luz confessou ao juiz Sergio Moro ter atuado como intermediário de propina na contratação dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000 e na contratação da Schahin Engenharia como operadora de um deles, o Vitória 10.000. O valor da propina alcançou US$ 15 milhões. Na audiência, realizada nesta quarta-feira e que durou mais de quatro horas, Luz citou o nome de políticos envolvidos na operação, entre eles os senadores Renan Calheiros e Jader Barbalho, do PMDB, e do deputado federal Anibal Gomes, do PMDB do Ceará. Apontou ainda novos caminhos de lavagem de dinheiro.
Luz e seu filho, Bruno Luz, foram presos na 38ª fase da Operação Lava-Jato, e denunciados pela força-tarefa da Lava-Jato por corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo os procuradores, a propina de US$ 15 milhões foi destinada a políticos do PMDB e funcionários da Petrobras.
Os dois estão desde fevereiro passado no Complexo Médico Penal, na Grande Curitiba, e foram ouvidos nesta quarta-feira em audiência.
De acordo com a denúncia, Jorge e Bruno Luz atuaram na intermediação dos recebimentos para políticos do PMDB. O dinheiro teria sido movimentado por meio da offshore Pentagram, controlada pela dupla, em uma conta na Suíça.
O ex-deputado federal Eduardo Cunha foi um dos beneficiários do esquema.
Na ação foram denunciados os empresários Milton e Fernando Schahin, do grupo Schahin, os doleiro Jorge e Raul Davie e três ex-funcionários da Petrobras: Agosthilde Mônaco e os ex-gerentes da área Internacional Demarco Epifânio e Luis Carlos Moreira.
O esquema também incluiu a contratação pela Schahin Engenharia do navio-sonda Vitoria 10.000. Segundo a denúncia, a empresa pagou propina de US$ 2,5 milhões aos funcionários da área Internacional da Petrobras para viabilizar o contrato. Neste pagamento, Jorge e Bruno Luz novamente participaram na lavagem de dinheiro, utilizando contas ocultas no exterior.
O contrato da Schahin beneficiou também o PT. Com a contratação do navio-sonda Vitória 10.000, o partido teve quitado fraudulentamente um empréstimo de US$ 12 milhões, retirado no Banco Schahin pelo pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula e já condenado na Lava-Jato.

