"A primeira hipótese, de que ele foi agredido por roubar uma moto, foi desconstruída após o dono do veículo afirmar que a havia emprestado a Osil. Depois disso a investigação partiu para identificar os agressores", declarou em entrevista coletiva o delegado de Polícia Seccional de Santos, Rubens Eduardo Barazal Teixeira.
Douglas Wiliam e Ailton Lima dos Santos, vulgo Yoda, são dois dos agressores que tiveram os nomes divulgados, sendo que o primeiro já tem um mandado de prisão em aberto e o segundo aguardando análise. O terceiro agressor também foi identificado e a polícia trabalha na expedição do mandado de prisão.
Segundo os policiais, Douglas Wiliam é quem golpeia a cabeça de Osil com um pedaço de madeira. Ele tem passagem pela polícia por roubo e tráfico de drogas. Ele se apresentou na delegacia-sede de Guarujá um dia após o espancamento, disse que estava no local do crime, mas nega ter agredido a vítima.
"Douglas é ex-cunhado da ex-companheira de Osil, a Vanessa. Ela já foi ouvida e afirmou que antes do dia da fatalidade acontecer, Osil foi até a sua casa, quebrou uma série de coisas, a agrediu, estava transtornado e foi embora", relatou o delegado de Polícia da Delegacia Sede do Guarujá, Fabricio Godinho.
A polícia trabalha agora para descobrir qual a motivação do crime. "Todas as pessoas que entram no cenário de um crime são passíveis de serem investigadas. O celular da Vanessa foi retido e com certeza ela será ouvida novamente", finalizou o delegado.
Áudio revelou espancamento anterior
O Estadão mostrou nesta terça-feira que, de acordo com os familiares, a vítima enviou um áudio aos parentes em Pernambuco informando que ela havia sido responsável por uma sessão de espancamento que ele sofreu. O áudio foi divulgado por familiares no dia do enterro do comerciante.
Essa primeira "surra" teria acontecido dois dias antes do espancamento que o vitimou. O ato de violência ocorreu após Osil procurar a ex em busca de reconciliação. Ele havia ameaçado se matar caso eles não reatassem, segundo relatou à polícia um dos irmãos da vítima, de 61 anos, que não quer se identificar. "A família quer a investigação para saber a verdade. A gente quer justiça", diz o irmão.
Segundo parentes, os dois estavam separados havia dois meses e viviam um relacionamento conturbado, com brigas e discussões. A família confirmou que Osil tinha problemas psicológicos e fazia uso contínuo de medicamentos para depressão, agravada após a separação do casal.
"Você acredita muito na conversa de Vanessa. Ela te contou que ela chamou três traficantes para me espancar? O cunhado dela e mais dois, mais dois bandidos perigosos. Ela te contou isso?", pergunta o comerciante em uma mensagem de áudio enviada a uma parente.
Os vizinhos, comerciantes moradores de Vicente de Carvalho, bairro onde Osil morava e trabalhava, estão chocados com o crime que aconteceu há uma semana. É uma percepção subjetiva, não há números, não há dados, mas o choque é real. As pessoas não se identificam com medo de retaliações dos autores do crime; quando falam sobre a tragédia, algumas olham para o céu ou para o chão buscando uma explicação. (Colaborou Gonçalo Junior)

