BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu o arquivamento de inquérito da Operação Lava-Jato aberto para investigar o deputado Zeca Dirceu (PT-PR). O relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) é o ministro Edson Fachin, a quem cabe tomar uma decisão. Mas a praxe é referendar o arquivamento quando o pedido parte da Procuradoria Geral da República (PGR). O caso está em segredo de justiça.
Foi o próprio Janot quem pediu a instauração do inquérito em 30 de setembro do ano passado para apurar a suspeita da prática de lavagem de dinheiro. Em 19 de outubro, o ministro Teori Zavascki autorizou a abertura do inquérito. Ele morreu em janeiro de 2017, sendo substituído por Fachin na relatoria dos processos da Lava-Jato.
O deputado é filho do ex-ministro José Dirceu, que foi condenado na Lava-Jato e chegou a ser preso, mas, por ordem do STF, está sob monitoramento eletrônico atualmente. Em 2015, em delação premiada, o dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, declarou que fez doação de R$ 100 mil ao deputado nas eleições de 2010, a pedido de José Dirceu. Outros delatores da Lava-Jato também afirmaram que fizeram doações veladas à campanha de Zeca Dirceu.
— Não tinha nenhum fundamento esse inquérito — disse o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende o deputado.
Desde o começo da Lava-Jato, Janot já tinha pedido o arquivamento de outros 14 inquéritos da operação. Em 13 já houve decisão arquivando.

