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Latrocínios sobem, mas roubos caem no mês de maio na cidade de São Paulo

Estadão

A cidade de São Paulo teve alta de latrocínios (roubos seguidos de morte) em maio deste ano, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 30, pela Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP). Foram 5 casos registrados, ante outros dois no mesmo período do ano passado.

- Como mostrou o Estadão , antes mesmo da divulgação dos dados oficiais, a recorrência de casos já vinha chamando atenção pelo menos desde o fim de abril;

- São crimes marcados sobretudo por abordagens de motociclistas e tentativas frustradas de reação, como no caso da morte de um ex-piloto de helicóptero da Rede Globo.

As estatísticas divulgadas nesta terça apontam que, além dos latrocínios, os estupros também apresentaram alta em maio - mais especificamente, de 11% -, com 263 casos registrados. Ao mesmo tempo, roubos, furtos e homicídios tiveram queda no último mês.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirma que, embora tenha havido alta dos latrocínios em maio, o acumulado dos cinco primeiros meses do ano apresentou queda na cidade, passando de 18 casos, de janeiro a maio do ano passado, para 15, no mesmo período neste ano.

Sobre os estupros, a pasta afirmou que trata com "absoluta prioridade a prevenção, o acolhimento às vítimas e a investigação rigorosa de todas as denúncias". "O fortalecimento da rede de proteção e o estímulo à denúncia contribuem para ampliar a notificação desses crimes e a apuração de cada caso pelas autoridades policiais", afirma.

Em maio, no intervalo de uma semana, a capital teve três ocorrências de latrocínio. Entre eles, está o caso que vitimou o ex-piloto do Globocop, helicóptero usado pela Rede Globo para reportagens, Odailton de Oliveira Silva, de 77 anos, morto na tarde do dia 19 de maio no Butantã.

Dato, como era conhecido, dirigia um Jeep Renegade preto na Avenida Rio Pequeno quando foi abordado por um motociclista. Ao tentar reagir, foi baleado na cabeça. O motoqueiro fugiu, e o caso foi registrado no 14º Distrito Policial (Pinheiros).

"Estamos trabalhando, ficamos sentidos demais com esse caso. Foi covarde", disse na época ao Estadão o secretário da Segurança Pública do Estado, Osvaldo Nico Gonçalves.

O boletim de ocorrência do caso, ocorrido no dia 17 de maio, um domingo, aponta que a vítima estava na festa de aniversário da sobrinha quando saiu do local para fumar com o irmão, que é policial militar. Por volta das 21h, uma moto com dois assaltantes se aproxima.

Surpreendidos, os dois se ajoelham e entregam os celulares. Quando os assaltantes vão sair, no entanto, Leandro é atingido com um disparo no peito após entrar em luta corporal com um dos bandidos. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu. O caso foi registrada pelo 89º Distrito Policial (Jardim Taboão).

Os latrocínios em sequência ocorrem pouco mais de um ano após latrocínios como o do ciclista Vitor Medrado, morto com um tiro à queima-roupa em fevereiro do ano passado perto do Parque do Povo, no Itaim Bibi, zona oeste.

"Parece uma roleta-russa o tempo todo", disse meses depois a viúva de Medrado ao Estadão . Na época, mais de uma dezena de suspeitos de envolvimento direto ou indireto no caso e em outros latrocínios foram presos.

Indicadores criminais na capital paulista

A alta de latrocínios em maio se dá mesmo diante de uma queda nos roubos e furtos, consolidando tendência que vem sendo observada nos últimos meses. Outros indicadores, como o de homicídios, também mantêm tendência de diminuição:

Homicídios (vítimas): foram 24 registros em maio, redução de 22,6% ante o mesmo período do ano passado;

Roubos: foram 7,4 mil registros em maio, redução de 9,7%;

Furtos: foram 20,6 mil registros em maio, redução de 1,7%;

Estupros: foram 263 registros em maio, aumento de 11% ante o mesmo período do ano passado;

Latrocínios (vítimas): foram 5 registros em maio, ante 2 no mesmo período do ano passado.

Como mostra o Radar da Criminalidade, ferramenta desenvolvida com exclusividade pelo Estadão , a redução nos roubos não é uniforme.

Na zona oeste da cidade, a região Pinheiros, por exemplo, tem tido alta nos indicadores, com destaque para as ocorrências na Rua Oscar Freire, via que mais teve registros de assaltos na região no mês de abril.

Latrocínios mantêm estabilidade no Estado

Os roubos seguidos de morte mantiveram estabilidade no Estado em maio. Foram sete registros, mais da metade deles, portanto, ocorridos na capital:

Homicídios (vítimas): foram 167 registros em maio, redução de 16,5% ante o mesmo período do ano passado;

Roubos: foram 11,8 mil registros em maio, redução de 12%;

Furtos: foram 44,6 mil registros em maio no estado, redução de 3,7%;

Estupros: foram 1,3 mil registros em maio no estado, aumento de 11,6%;

Latrocínio (vítimas): foram 7 registros em maio no estado, estabilidade em relação ao mesmo período do ano passado.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirma analisar os indicadores criminais para reorientar e reforçar as ações de policiamento ostensivo, investigações e operações de inteligência em todo o território paulista. "O principal objetivo é proteger o cidadão com combate permanente ao crime e aumento da sensação de segurança da população", afirma.

Recentemente, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) chegou a pedir desculpas para a população pelos casos de roubo de celular. "O Estado tem que garantir a segurança e, quando não garante, está falhando", disse o chefe do Executivo.

A pasta acrescentou que, em relação aos crimes de estupro, a gestão estadual ampliou as políticas de enfrentamento à violência contra a mulher com uma rede formada por 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), das quais 19 funcionam 24 horas por dia, 220 Salas DDM Online para atendimento remoto e o reforço de mais de 650 policiais nas unidades especializadas.

A pasta acrescentou que, em maio, o Estado registrou o menor número de homicídios dolosos para o mês desde o início da série histórica, em 2001. "Foram 162 ocorrências, uma redução de 14,7% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de janeiro a maio, o Estado contabilizou 969 casos, ficando, pela primeira vez, abaixo de mil homicídios nesse intervalo", diz.

Segundo a secretaria, nos cinco primeiros meses do ano, 19,8 mil suspeitos foram presos ou apreendidos e 1,1 mil armas de fogo foram retiradas de circulação na capital. Em todo o Estado, foram realizadas 92,8 mil prisões e apreensões, além de 5,2 mil armas de fogo retiradas de circulação.

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