Qual foi o pedido do ministro da Saúde Marcelo Queiroga quando o senhor foi convidado para o grupo?
O ministro Marcelo Queiroga solicitou que fosse feita uma unificação das informações e orientações para familiares, pacientes e equipes de saúde que atendiam covid-19. Ele deixou bem claro que isso fosse feito com base na ciência, nos melhores conhecimentos científicos nacionais e internacionais. A primeira coisa que ele disse foi que não precisávamos discutir vacina porque isso era ponto pacífico, e ele queria ser reconhecido como o ministro que vacinou o Brasil.
Como foi composto esse grupo?
Mais de 150 pesquisadores de diferentes sociedades médicas e instituições participaram dessas diretrizes. O resultado do trabalho foi apresentado nas reuniões da Conitec.
O que aconteceu na reunião de outubro da Conitec, quando a votação acabou empatada por 6 a 6?
Quando geramos o documento do tratamento pré-hospitalar, alguns participantes da plenária da Conitec começaram a reclamar de coisas que, no passado, haviam elogiado. Como a metodologia que tínhamos usado e o cuidado que tivemos. A representante da Secretaria de Atenção Especializada em Saúde (Saes) do Ministério da Saúde, Maria Inez Gadelha, disse que o nosso grupo não tinha competência.
Como o senhor reagiu?
Rebati, mas isso nos deixou chateados. O grupo é composto de professores das melhores universidades do País. Se essas pessoas do ministério achavam que não tínhamos competência, deveriam ter avisado antes. Assim a gente não perderia tempo. A votação acabou empatada e foi para consulta pública. Revisamos o documento. Ele voltou para a Conitec, foi aprovado por 7 a 6, mas o secretário Hélio Angotti não publicou a diretriz. Resolveu pedir nova consulta, que ocorreu em 28 de dezembro, entre o Natal e o ano novo.
Como o senhor avalia a nota técnica publicada no final de janeiro?
O secretário rejeitou o nosso trabalho. O mais absurdo da nota técnica foi a tabela que menciona a vacina, algo que o ministro não havia pedido que fosse discutido. Nunca esteve na nossa pauta. O secretário compara cloroquina com vacina (uma forma de profilaxia) e técnicas como a ventilação não invasiva e a colocação dos pacientes graves na posição prona. Os estudos científicos que avaliam essas técnicas não são comparáveis com estudos de medicamentos. O secretário fez uma salada e incluiu uma tabela totalmente inadequada e absurda.
Vocês estão preparando contestação a essa nota?
Estamos fazendo uma resposta e um pedido de revisão. Solicitamos a publicação das diretrizes que contraindicam o uso de medicamentos sem eficácia. Quanto mais cedo isso ocorrer, a população e os profissionais de saúde poderão ser informados com um documento validado pelo Ministério da Saúde para servir de apoio ao tratamento.
Nesse episódio do kit covid, o que o Brasil não pode esquecer?
Não podemos esquecer como perdemos tempo discutindo um assunto injustificável. Faz um ano e meio que a ciência comprovou que o kit covid não seria útil. Mesmo assim, ficaram insistindo com tratamento alternativo sem sentido.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



