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Janot diz à PF que ex-procurador causou 'constrangimento' ao atuar para JBS

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BRASÍLIA — Em depoimento à (PF), o ex-procurador-geral da República afirmou que o ex-procurador argumentou ter recebido "uma proposta de trabalho muito boa" ao pedir exoneração do cargo, mas não lhe revelou que iria trabalhar para a . Janot disse ainda que Miller causou "constrangimento" quando compareceu à PGR para discutir o acordo de colaboração dos executivos do grupo e que, por isso, determinou que o ex-procurador não procurasse mais o órgão para tratar do assunto.

"Na ocasião, o depoente (Janot) ainda questionou se Marcelo Miller estava seguro em relação à decisão de saída do MPF, tendo obtido como resposta de Miller que 'haviam comprado seu passe e recebido uma bela bolsa' com uma proposta de trabalho muito boa, em escritório de advocacia", diz trecho do depoimento, obtido por O GLOBO, que ainda está sob sigilo.

Janot foi ouvido na sede da PGR pelo delegado da Polícia Federal Cleyber Malta Lopes, no último dia 15, no inquérito que apura se Miller cometeu algum crime por sua conduta no caso da JBS — o ex-procurador pediu exoneração do cargo em fevereiro, em um encontro pessoal com Janot, mas só deixou efetivamente o Ministério Público Federal em abril. Neste período, durante o qual ainda estava revestido do cargo de procurador, manteve reuniões com executivos da JBS mesmo sem avisar o escritório que iria lhe contratar, o Trench Rossi Watanabe.

O depoimento de Janot foi uma das últimas diligências do inquérito, que já está em sua fase final. Apesar de fazer críticas ao seu antigo subordinado, Janot afirma que não havia conflito legal na atuação de Miller como advogado após deixar o Ministério Público, mas aponta "questionamentos morais" na conduta do ex-procurador.

Segundo Janot, Marcelo Miller não participou da negociação dos benefícios aos executivos da JBS. "A decisão final sobre a imunidade concedida aos irmãos Joesley e Wesley Batista no processo de colaboração foi exclusiva do depoente, no uso de suas atribuições enquanto Procurador-Geral da República, após análise detalhada da consistência dos elementos trazidos pelos executivos da JBS", afirma o depoimento. Isso incluía, diz o ex-procurador-geral, a participação em "ações de risco", como a entrega de dinheiro a políticos sob acompanhamento da PF.

Rodrigo Janot afirmou ainda não ter conhecimento se Miller orientou os executivos da JBS a gravarem o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves. Ressaltou que "a iniciativa para tais gravações realizadas e trazidas pelos executivos da JBS partiram diretamente de tais executivos, não havendo qualquer orientação por parte do depoente ou mesmo dos membros do grupo de trabalho da PGR". Segundo o ex-procurador-geral, os executivos entregaram os áudios junto com a documentação inicial para a negociação do acordo.

Sobre as ações controladas da Polícia Federal que flagraram as entregas de dinheiro, Janot afirmou que era informado "em tempo real" e disse acreditar que os procuradores da sua equipe "tenham se reunido com executivos e advogados da JBS para definirem os termos das entregas de valores, nas ações controladas".

Miller já afirmou à PF que não negociou o acordo de delação da JBS, mas apenas o acordo de leniência --este tramitou na Procuradoria da República no DF, perante a qual Miller nunca atuou. À CPI da JBS, ele admitiu que "fez uma lambança" por ter começado a discutir o tema com os executivos da JBS antes de ter deixado formalmente o cargo. “Eu cometi 1 erro brutal de avaliação. Não cometi crime, mas eu fiz uma lambança, é por isso que eu estou aqui", disse o ex-procurador.

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