O terminal pegou fogo na sexta-feira, 25, e entre sábado, 26, e segunda-feira, 28, o rio, cuja nascente é em Santa Adélia e banha outras cinco cidades, recebeu 4 milhões de litros de água residual do incêndio e cerca de 400 toneladas de açúcar queimado. O material provocou a proliferação de bactérias que consomem oxigênio e asfixiam os peixes.
O capitão Olivaldi Azevedo, da Polícia Ambiental, afirmou que o agravante é que os peixes que habitam o São Domingos são de espécies de pequeno porte, como lambaris, que pesam no máximo de 70 a 100 gramas. Em uma hora de coleta de amostras para exames, os policiais ambientais recolheram mais de 18 mil exemplares, de várias espécies, como lambaris, tilápias, mandis e outros.
De acordo com a Cetesb, em 50 dos 70 quilômetros do rio, o índice de oxigênio medido é de zero. "Entre Santa Adélia e Catanduva, o índice está zerado há pelo menos 48 horas; não há mais vida no trecho, de 30 quilômetros", disse o engenheiro José Mário Andrade, da Cetesb. Segundo Andrade, a manta poluidora equivale a um volume de esgoto produzido por 4 milhões de pessoas. "É um acidente de grandes proporções, que não ocorria há mais 30 anos na região noroeste", disse.
Conforme o engenheiro, a situação pode piorar a partir desta sexta-feira, quando a poluição atingirá o Rio Turvo, que é maior e possui mais peixes, de tamanho maior. A Polícia Ambiental e a Cetesb farão uma operação de resgate de peixes que forem encontrados agonizando. "Vamos coletar esses peixes e colocá-los em tanques com água limpa que estarão sobre três caminhões e depois os soltaremos no mesmo rio, abaixo das cachoeiras, onde acreditamos que a poluição não chegará", disse Azevedo.

