Sem citar nominalmente Gilberto Kassab, Haddad disse que a gestão anterior tinha um número muito maior de escândalos. "A Prefeitura de São Paulo só no ano passado teve dois escândalos, o do Aref e o do Ronilson, que não foi investigado, quantos mais?", questionou.
Os casos citados pelo prefeito são o do ex-diretor do Departamento de Aprovações (Aprov), Hussain Aref Saab, suspeito de enriquecimento ilícito pelo desvio de R$ 70 milhões - ele adquiriu 125 imóveis à frente do cargo, entre 2005 e 2012. E de Ronilson Bezerra Rodrigues, ex-subsecretário municipal de Finanças, que foi preso na quarta-feira acusado de integrar uma quadrilha que cobrava propina para liberar empreendimentos mobiliários da capital. As fraudes foram cometidas entre 2007 e 2012, durante a gestão Kassab.
O prefeito disse ainda que a investigação em andamento pode não se limitar aos quatro presos. "Estamos recolhendo depoimentos para saber como (o esquema) funcionava porque ele pode não estar restrito a esses quatro elementos", afirmou. Além de Rodrigues, foram presos o ex-diretor de arrecadação da secretaria Eduardo Horle Barcellos e os auditores Luis Alexandre Cardoso Magalhães e Carlos Augusto di Lello Leite do Amaral. Apenas entre outubro de 2010 e o fim de 2012, agentes do Ministério Público Estadual e da Controladoria têm indícios do pagamento de R$ 200 milhões de propina aos servidores.
Para efeito de comparação, no "caso Aref" o dano estimado ao erário público foi de R$ 50 milhões, ou um quarto do dano causado pela quadrilha que fraudava o recolhimento do ISS, entre os anos de 2005 e 2012.
Segundo Haddad, as empresas também serão chamadas para prestar esclarecimentos. Ele, no entanto, não citou quais seriam as empresas envolvidas. O prefeito garantiu que trabalha para conseguir recuperar os recursos desviados. "Os bens (dos acusados) já estão todos bloqueados."
Haddad participou, ao lado do governador Geraldo Alckmin, e da ministra da Cultura, Marta Suplicy, da apresentação do projeto de lei que cria a Empresa de Cinema e Audiovisual de São Paulo (SPCine). Cada esfera de governo fará um aporte anual de R$ 25 milhões. Segundo prefeito, o Orçamento de 2014 já conta com esse aporte. O projeto será encaminhado, posteriormente, à aprovação da Câmara Municipal. "A aprovação deve sair em 30 dias", estimou Haddad.

