BRASÍLIA — O governo comemorou, nesta segunda-feira, a decisão da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, de pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para ouvir o presidente Michel Temer no inquérito que investiga irregularidades na edição da MP dos Portos. Segundo interlocutores de Temer no Palácio do Planalto, a conduta de Dodge foi considerada "excelente", já que isso permitirá ao presidente esclarecer o seu lado da história.
Governistas também usaram o fato para criticar mais uma vez o ex-procurador e algoz de Temer, Rodrigo Janot, responsável por enviar duas denúncias contra o presidente à Câmara dos Deputados. Segundo essas fontes, o fato de Temer ser ouvido em relação ao inquérito significa que Dodge respeita o amplo direito de defesa, algo que estava "em desuso" na gestão Janot, alfinetam.
— Ao contrário do que acontecia, ela agora dá oportunidade ao presidente de se defender e ouve os dois lados. É o devido processo legal, coisa que já estava virando peça de museu e era uma prática abandonada — debochou uma pessoa próxima a Temer.
Além de Temer, Dodge também solicitou que sejam ouvidas outras oito pessoas, entre elas três investigados: Rodrigo Rocha Loures, que foi assessor de Temer, e os executivos Antônio Celso Grecco e Ricardo Conrado Mesquita, da empresa Rodrimar. Há um inquérito aberto no Supremo justamente para investigar se Temer beneficiou a Rodrimar no porto de Santos em troca de propina. O presidente é suspeito de ter cometido os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e nega todas as acusações.
A decisão de permitir que os depoimentos sejam prestados caberá ao ministro Luís Roberto Barroso, relator do inquérito no STF.

