O governo federal atualizou, nesta segunda-feira (6), a "lista suja" do trabalho escravo, um cadastro público que expõe empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. O documento inclui 169 novos empregadores, representando um aumento de 6,28% em relação à última atualização. Dentre os novos nomes, destacam-se o cantor Amado Batista e a montadora de carros elétricos BYD. Com essa atualização, o número total de empregadores na lista sobe para cerca de 613.
A "lista suja" é divulgada semestralmente pelo Ministério do Trabalho e visa dar visibilidade às ações de combate ao trabalho escravo no país. Os empregadores que entram para a lista o fazem após o término do processo administrativo, sem possibilidade de recurso, e permanecem nela por dois anos, podendo ser removidos apenas se regularizarem sua situação e não houverem novos casos. Entre os setores econômicos com mais empregadores na lista estão os serviços domésticos, a criação de bovinos para corte e a construção de edifícios.
Os novos casos incluídos na lista resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em condições de exploração. A atualização também excluiu 225 empregadores que completaram os dois anos de permanência e regularizaram suas situações. Em relação aos estados, Minas Gerais, São Paulo e Bahia foram os mais afetados, com destaque para o resgate de trabalhadores em diversas regiões do país, incluindo o Norte e o Centro-Oeste. No Amazonas, foi identificado apenas
A inclusão da montadora BYD na "lista suja" se deve ao resgate de trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão em uma obra na cidade de Camaçari (BA). A empresa foi acusada de reter passaportes, forçar jornadas exaustivas e manter os trabalhadores em condições precárias. A BYD, por sua vez, afirmou que a responsabilidade era de uma construtora terceirizada e que adotou medidas corretivas, incluindo a transferência dos trabalhadores para hotéis e o encerramento do contrato com a empreiteira envolvida.
No caso do cantor Amado Batista, ele foi incluído devido a autuações em propriedades rurais em Goianápolis (GO), onde foram encontradas irregularidades no tratamento de trabalhadores. A assessoria do cantor negou as acusações, afirmando que os trabalhadores estão regularizados e que melhorias nas condições de moradia foram realizadas após as fiscalizações. Em resposta, Batista afirmou ter cumprido todos os compromissos legais e administrativos com o Ministério Público do Trabalho (MPT).



