O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconheceu nesta quarta-feira (10) a legalidade da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. Para o magistrado, o acordo deve garantir benefícios ao militar em troca das informações que prestou às investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.
A colaboração de Cid foi alvo de questionamentos das defesas dos réus considerados parte do núcleo central da trama golpista, formado pelo ex-presidente e sete de seus aliados. Os advogados pediram a anulação do acordo, mas Fux acompanhou o relator Alexandre de Moraes e defendeu a validade da delação.
Em sua manifestação, o ministro elogiou Moraes pela condução do processo, mas destacou dificuldades enfrentadas pelas defesas, que, segundo ele, receberam um “tsunami de dados” para analisar em prazo curto. Apesar da crítica, Fux manteve posição favorável ao uso das provas obtidas a partir da delação de Cid.
O julgamento, que pode resultar na condenação de Bolsonaro e de outros sete acusados, segue na Primeira Turma do STF. Até agora, Moraes e Flávio Dino votaram pela condenação de todos os réus, e ainda faltam os votos de Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente da Turma.


