SÃO PAULO — Os presos da Operação Lava-Jato tiveram um final de ano com direito a show de dupla sertaneja e carteado no Paraná. No Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, onde estão o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, os festejos foram antecipados para o dia 14. Nessa data, os presso puderam assistir à apresentação da curitibana Bruno Cesar e Leandro. No cardápio da festa, foram servidos quitutes como esfiha de carne, cuca de goiabada e refrigerante.
Já os investigados da Lava-Jato que estão na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba, como o ex-ministro Antonio Palocci e o ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine, comeram a comida mandada pela família em vez das quentinhas da cadeia. A diversão para passar o tempo ficou por conta do baralho.
No CMP, os detentos ficaram chateados porque não puderam ver os cantores, que tocaram alguns de seus sucessos como o hit "Boate Azul". Segundo a advogada Isabel Mendes, do Conselho da Comunidade de Curitiba, órgão vinculado ao sistema penitenciário e responsável por organizar a festa de fim de ano, a direção do CMP alegou que "por questões de segurança" não poderia autorizar a saída dos presos e eles teriam que acompanhar tudo de dentro das celas.
O CHORO DO OPERADOR
Na ala 6, onde estão os presos da Lava-Jato, Isabel conseguiu ver, separada pelas grades, o choro do operador João Augusto Henriques, que se emocionou no momento em que foram feitas as orações. Henriques foi condenado pelo juiz Sergio Moro a seis anos e oito meses de prisão por corrupção no caso do afretamento de um navio sonda pela Petrobras.
— Ficamos numa sala antes do corredor da galeria, separados por uma grade. Dava pra ver o rosto de alguns presos da Lava-Jato, mas bem de longe. A sorte é que tínhamos um sistema de som potente e eles puderam ouvir as músicas. O João Henriques estava emocionado e pediu que nós reivindicássemos por melhorias das condições do presídio — afirmou Isabel Mendes.
Ela disse que vai fazer uma reclamação sobre a não liberação dos presos para os festejos num relatório que entregará ao Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) no mês que vem. Ela disse que o CMP foi o único presídio do sistema que não permitiu a saída dos presos das celas para as comemorações de fim de ano organizadas pela entidade.
A advogada fiscaliza, por meio do conselho, as 11 penitenciárias do Paraná. Ela também esteve no CMP no dia 22, quando as famílias dos presos fizeram a visita praticamente na véspera de Natal. Segundo a presidente do conselho, os familiares dos presos estavam muito abalados.
A irmã do ex-deputado Luiz Argolo e Cláudia Cruz, mulher do ex-deputado Eduardo Cunha, estavam entre as mais emocionadas.
— Foi um dia muito triste. As mulheres choravam muito. É um momento muito difícil para os presos. Ainda mais para esses que eram políticos, que tinham um bom padrão de vida — contou a presidente do Conselho.
SEGUNDO NATAL DE CUNHA NA CADEIA
Cunha passou o segundo Natal na cadeia. Ele tinha esperança de sair antes do fim de 2017, mas não conseguiu. O ex-deputado entrou com uma série de recursos nos tribunais superiores sob a alegação de que seu caso ainda não transitou em julgado e de que ainda não foi condenado nem mesmo em segunda instância.
O ex-deputado foi condenado na primeira instância a 15 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem. Ele foi preso em outubro de 2016. Ao mesmo tempo em que passou a ter uma série de recursos negados nas instâncias superiores, Cunha passou a apostar na estratégia de remissão de sua pena. Na cadeia, o ex-deputado já fez curso à distância de espanhol e recentemente terminou outro de agropecuária.

