A pensão que deveria ser recebida por Madalena Gordiano, que viveu sob regime análogo à escravidão por 38 anos, foi usado para pagar curso de medicina e os custos da família Milagres Rigueira durante 17 anos, segundo informações prestadas por auditores fiscais do caso.
O valor de R$ 8,4 mil oriunda de um casamento de Madalena com um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial nunca foi administrado por ela. De acordo com o UOL, Maria das Graças teria organizado casamento entre os dois para garantir o dinheiro da pensão e o mesmo pagasse a faculdade da filha. A jovem concluiu o curso de medicina em 2007.
Ainda segundo a publicação, quando a jovem estava formada o dinheiro passou a ser administrado por Dalton. Em documentos obtidos pelo UOL, a renda da família sem a pensão de Madalena é incompatível. Ele ainda fez dois empréstimos consignados no nome dela, com dívida de R$ 18,5 no Banco do Brasil.
Três membros da família de Dalton ainda tiveram pedidos do auxílio emergencial aceitos pelo governo federal, mesmo com uma renda superior a R$ 11 mil. Valdirene e as filhas receberam cinco parcelas de R$ 600 e uma de R$ 300.
Entenda o caso
O caso que chocou o Brasil aconteceu em Patos de Minas. Madalena tinha 8 anos quando, ao bater na porta de uma mulher para pedir pão, foi levada embora. Maria das Graças Milagres Rigueira não deu o alimento à então menina, mas disse que iria adotá-la.
Desde lá, ela foi tirada da escola, não tinha brinquedos, e viveu por 38 anos trabalhando para essa família, sem salário, descanso, férias, sem direitos, sem poder sair sozinha, em situação análoga à escravidão.
Após 24 anos sendo escravizada ali, o marido da professora mandou que ela fosse entregue, e um dos filhos da professora, identificado por Dalton Ribeiro, pegou a mulher para sua casa, dando continuidade ao tratamento análogo à escravidão. Familiares diziam que Madalena era “como se fosse da família”
O Ministério Público do Trabalho investiga Dalton pela situação análoga à escravidão e por tráfico de pessoas. A mãe também pode ser responsabilizada já que o crime não prescreve.

