BRASÍLIA — O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), conversaram no dia 25 de setembro se deveria ou não ser divulgado pelo Congresso Nacional o material enviado pela Corte com a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer por organização criminosa e obstrução à Justiça. O encontro ocorreu no gabinete da presidente do tribunal, ministra Cármen Lúcia, que participou de boa parte da reunião.
Quando receberam o material, técnicos da Câmara questionaram se os documentos poderiam ser divulgados, ou teriam de ser mantidos em sigilo. Por isso, Maia pediu para Cármen recebê-lo. A ministra teria esclarecido que o material estava sob a relatoria de Fachin — e, por isso, apenas ele poderia dar as explicações. Também participou do encontro um assessor de Maia. Nessa reunião, Maia e o assessor teriam recebido orientação sobre a parte sigilosa e a parte que poderia ser divulgada.
O material foi disponibilizado no site da Câmara. No conteúdo, estavam delações premiadas de Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB da Câmara, e do ex-deputado Pedro Corrêa. A assessoria de imprensa de Fachin informou que as delações ainda estavam em segredo de justiça. No entanto, não comentou se a Câmara desobedeceu ou não uma eventual ordem do ministro de manter as peças em sigilo.
A divulgação das delações acendeu novos focos de atrito entre o Congresso e o STF. Maia afirmou que os vídeos dos delatores não estavam relacionados ao material sigiloso. Por meio de sua assessoria de imprensa, Cármen Lúcia informou que o envio do ofício à Câmara é um ato formal, e que ela não conhecia o teor do material.

