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Ex-assessor de Temer reclamou do atraso no pagamento de propina, diz delator

BRASÍLIA - Documento obtido com exclusividade pelo GLOBO mostra que Tadeu Filippelli, ex-assessor especial do presidente Michel Temer preso nesta terça-feira, reclamou do atraso no pagamento de propina decorrente de desvio de recursos da obra de reforma do estádio Mané Garrincha, o mais caro da Copa de 2014 com custo superior a R$ 1,5 bilhão. O relato é de um ex-executivo da Andrade Gutierrez em depoimento no âmbito do acordo de leniência, a delação premiada da empresa. Segundo Carlos José de Souza, ex-executivo da Andrade Gutierrez, a cobrança foi realizada na residência de Filippelli entre 2012 e 2013, quando o peemedebista era vice-governador do Distrito Federal.

"Que sobre Tadeu Filippelli, então vice-governador do GDF, respondeu que o acerto de pagamento de propina em razão do estádio Mané Garrincha foi pago pela AG por meio de doações de campanha ao PMDB; Que contudo foi chamado por Tadeu Filippelli em sua residência oficial no ano de 2012/2013, tendo recebido reclamação do nominado em face da ausência de pagamento da propina acertada no montante de um por cento; Que então, nessa ocasião, Filippelli informou que teria acertado com a VIA o pagamento da propina, conforme acordado e que a AG deveria depois resolver essa questão junto a VIA", afirmou Souza, segundo o extrato de seu depoimento.

A obra foi realizada em um consórcio entre a Andrade Gutierrez e a Via Engenharia. Segundo os delatores, após a posse de Agnelo Queiroz (PT) como governador e Tadeu Filippelli como vice ficou acertado um repasse de propina de 4% de recursos desviados das obras, sendo 3% para o PT e 1% para o PMDB. De acordo com o relato, Filippelli recebeu recursos tanto por doações feitas ao PMDB quanto por meio de um intermediário, o ex-secretário Afrânio Roberto de Souza Filho.

A Operação Panatenaico apura a suspeita de desvios de até R$ 900 milhões nas obras do estádio, conforme cálculo feito pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal. Foram presos Filippelli, Agnelo e José Roberto Arruda (PR), ex-governador que deu início a obra. Conforme o GLOBO mostrou, o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), que foi governador tampão do DF entre abril e dezembro de 2010 também foi citado como beneficiário de propina, mas o caso dele foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao foro privilegiado.

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