SÃO PAULO - A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público (MP), que acusa a jornalista Patricia Lélis, de 23 anos, (PSC-SP). A ex-integrante da juventude do Partido Social Cristão (PSC), que também acusa Feliciano de tentativa de estupro, afirma que o policial aposentado Talma Bauer . Uma testemunha do caso será ouvida em maio. Como mora em Brasília, Patrícia falará por carta precatória. Ela diz que provará todas as denúncias que fez.
O processo em que Lélis faz acusações contra Feliciano segue em Brasília, sem conclusão. Em junho de 2016, ela disse que o deputado a chamou para uma reunião com integrantes da juventude do PSC em seu apartamento funcional. Nessa ocasião, o parlamentar teria tentado estuprá-la. Feliciano também teria dado um soco em sua boca e um chute em sua perna, segundo relatou a jovem à Polícia. O caso está em segredo de justiça.
Após o episódio, Patrícia procurou a polícia de São Paulo acusando Bauer de procurá-la diversas vezes para que ela fizesse uma gravação que inocentasse o deputado. Ela contou que se sentiu coagida e ameaçada, e que ele a perseguiu.
Vídeos divulgados na internet, no entanto, mostram uma conversa amistosa entre o assessor do PRB, Emerson Biazon, Bauer e Patrícia no hall de um hotel na capital paulista. Ali eles acertam pagamento no valor de R$ 50 mil do assessor de Feliciano. Numa das imagens, Patrícia abraça Bauer. À polícia, , para que ela não levasse adiante a acusação contra Feliciano. O delegado do caso, Luís Roberto Hellmeister, . Ele chegou a pedir sua prisão.
Ao GLOBO, Lélis afirma que era amiga de Bauer, e que ele passou a ameaçá-la após as acusações contra Feliciano se tornarem públicas. Ela negou ainda ter recebido qualquer valor de Bauer.
O TJSP confirmou que apenas uma testemunha será ouvida no próximo dia 25 de maio, na 1ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda, Zona Oeste da capital.
Procurada, a defesa de Lélis informou que, por correr em segredo de Justiça, não poderia comentar o caso, mas disse que o evento é uma audiência de instrução, quando os envolvidos no processo são ouvidos.
— O processo já está em curso — limitou-se a dizer Lívia Novak.
Hoje estudando Direito, Lélis fala que “não tem mais vida” por causa da repercussão do caso, mas que não mudaria em nada os depoimentos.
— Reafirmo todas as acusações. Mantenho tudo o que digo. Mas é muita canseira. Era melhor ter ficado calada, porque recebo várias ameaças. Ando com dois seguranças para cima e para baixo. Não saio sozinha. Minha vida parou! — conta ela ao GLOBO, para dizer, em seguida, que não teria levado o caso adiante.
— Minha mãe que denunciou. Eu mesma não ia denunciar. Mexer com Feliciano é perigoso, mas acordei para a vida agora.

