SÃO PAULO. Organizações de defesa da liberdade de expressão e de imprensa e associações de empresas jornalísticas repudiaram neste fim de semana ataques sofridos por mais de uma dezena de jornalistas que cobriram a prisão do ex-presidente Lula e protestos contra a decisão da Justiça Federal do Paraná, além de ações contra a sede de veículos.
Em nota divulgada neste domingo, a Aner condenou ataques realizados à sede da TV Verdes Mares, em Fortaleza, no sábado. Manifestantes quebraram portas de vidro, picharam muros e pintaram com tinta vermelha a sede da empresa. Para a entidade, é “inaceitável” qualquer tipo de ataque contra profissionais e veículos de comunicação, por isso é fundamental que autoridades locais façam “apuração rigorosa dos fatos”.
Na tarde de sábado, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) contabilizou pelo menos sete casos de hostilidade e agressões a repórteres e profissionais de imprensa em São Bernardo do Campo (SP), na sede do Sindicado dos Metalúrgicos, onde o ex-presidente Lula se encontrava.
Pela manhã, o repórter Pedro Duran, da rádio CBN, foi alvo de garrafas d’água e grades. O repórter foi protegido pelo deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) e seus seguranças. À tarde, também no Sindicato, um simpatizante do PT deu um tapa na repórter da Bandnews TV Joana Treptow, durante uma transmissão ao vivo.
O repórter Igor Duarte, o cinegrafista Ricardo Luiz e o assistente Everaldo Guimalhães, todos da Rede TV!, foram atacados com copos e latas de cerveja. Cercados por manifestantes, tiveram de se retirar do local, de acordo com a Abraji.
A repórter da Bandnews FM Gabriela Mayer relatou ter sido agredida com um tapa na barriga por outra militante, que tentou tirar-lhe o celular à força. Caio Rocha, da Jovem Pan, foi intimidado por manifestantes e impedido de continuar uma transmissão ao vivo. Bruna Barboza, da Bandeirantes, foi cercada por militantes que a agrediram verbalmente e teve que se retirar do local.
À noite, na região do aeroporto de Congonhas, na capital paulista, o repórter Roberto Kovalick, da TV Globo, foi hostilizado por manifestantes a favor de Lula e teve de deixar o local.
Na madrugada de sexta-feira, a entidade já havia registrado três casos de agressão e hostilidades a repórteres. Manifestantes tentaram invadir a sala em que estavam jornalistas e foram impedidos por representantes do Sindicato dos Metalúrgicos. Do lado de fora, militantes quebraram um dos vidros de um carro da Bandnews FM.
Em João Pessoa (PB), o repórter Oscar Neto, da Bandnews FM Manaíra, foi agredido por quatro manifestantes quando registrava, com o celular, o protesto de um grupo favorável a Lula em frente ao prédio da TV Cabo Branco, afiliada da Globo. Os militantes atiraram pedras contra janelas e portas de vidro, quebraram um portão e picharam paredes.
Para a Abraji, todos perdem com “agressões, hostilidades e intimidações a profissionais da comunicação”. A entidade entende que as ações representam a “fragilização de um dos pilares da democracia: a liberdade de expressão”.
Em nota conjunta divulgada na sexta-feira, a Abert, Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) repudiaram “com veemência” as agressões e hostilidades contra jornalistas.
“Essa violência injustificável e covarde decorre da intolerância e da incapacidade de compreender a atividade jornalística, que é a de levar informação aos cidadãos. Além de atentar contra a integridade física dos jornalistas, os agressores atacam o direito da sociedade de ser livremente informada”, escreveram representantes da entidade.

