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Em mais uma agenda secreta, Temer almoça com deputado do PSB

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BRASÍLIA - O presidente Michel Temer omitiu mais um encontro da agenda oficial. Nesta quinta-feira, almoçou na casa do deputado Heráclito Fortes (PSB-PI), dois dias depois de , ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), também em agenda secreta. Em março, um encontro secreto no Palácio do Jaburu com Joesley Batista, dono da JBS, custou ao presidente investigações no STF por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça.

Durante o almoço, Temer fez comentários críticos a decisão do procurador Rodrigo Janot de fatiar as denúncias, com a estratégia de provocar um desgaste político na base. Mas Temer admitiu que se a segunda denúncia for encaminhada só em agosto, não dá para esperar para juntar todas em uma só, então a articulação tem que ser para derrotar a primeira rápido, com um quórum expressivo.

— Se fosse um advogado, poderíamos chamar essa estratégia do Janot de chicana jurídica, para atrapalhar o processo. O desmembramento em duas ou três ações é claramente um ato político contra o País. O ideal era que resolvêssemos isso logo, mas se tivermos um bom resultado na derrota da primeira denúncia, as outras vão perder força — disse Temer na conversa com os parlamentares na cada do socialista Heráclito Fortes, segundo um dos presentes.

— A estratégia do Janot é desgastar a base obrigando a mais de uma votação, mas superada a primeira, as outras perdem força — avaliou o presidente.

A assessoria do Palácio do Planalto não informou que o presidente deixou o palácio. Nesta terça-feira, véspera de escolher Raquel Dodge como a nova procuradora-geral da República — não seguindo o primeiro colocado da lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República, o que é permitido pela Constituição —, Temer discutiu a indicação com Gilmar Mendes.

Heráclito esteve no palácio no fim da manhã, para um evento de um ano da lei das Estatais, que o próprio Temer chegou a desrespeitar, como mostrou O GLOBO. Enquanto Temer almoçava com o deputado Heráclito Fortes, a denúncia de corrupção passiva contra ele era lida no plenário da Câmara. Após a leitura, o Planalto deve ser notificado do rito da denúncia.

Com o início da tramitação da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) na Câmara, o presidente Michel Temer não perdeu tempo e iniciou hoje mesmo o corpo a corpo atrás de votos para tentar barrar a aprovação da autorização para que o Supremo Tribunal Federal (STF) dê andamento ao processo que pode culminar em sua cassação. E não vai se limitar a buscar apoio nos partidos aliados. Hoje ele fez um gesto na direção de parlamentares do PSB, partido que é declaradamente de oposição ao governo.

Ao ver o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) na solenidade de comemoração de um ano de vigência da lei das estatais, no Planalto, Temer sinalizou que queria conversar em particular com Heráclito. Ao subir a seu gabinete, Temer o convidou para almoçar no Jaburu, mas o deputado piauiense disse que hoje era sua “quinta sem lei” e que teria rabada e paçoca do Piauí no almoço, em sua casa.

— Rapaz, eu adoro rabada, posso ir? — disse Temer, se convidando para o almoço.

Do almoço, além de Heráclito, participaram o líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP), os deputados Benito Gama (PTB-BA) e Carlos Marum (PMDB-MS), o senador Elmano Ferrer (PMDB-PI) e um prefeito piauiense.

No almoço Temer procurou evitar falar explicitamente de votação e comentou sobre a escolha da procuradora Raquel Dodge para substituir o procurador geral da República, Rodrigo Janot, a partir de setembro. Disse que não a conhecia, que chamou para conversar com ela ontem no Planalto e que ficara muito bem impressionado com sua qualificação.

Depois de passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, dois terços do plenário — 342 deputados — devem votar pelo prosseguimento do processo criminal contra o presidente. Então, o pleno do Supremo decidirá se torna Temer réu. Caso isso aconteça, ele será afastado da Presidência por seis meses enquanto é julgado.

O presidente também é investigado no STF por organização criminosa e obstrução de Justiça. A expectativa é que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereça mais denúncias por esses crimes ao Supremo, que tem de remetê-las para autorização dos deputados. Na última segunda-feira, Janot também pediu a abertura mais um inquérito contra Temer e o ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures, para investigá-los por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em possíveis irregularidades em um decreto presidencial que regula a exploração portuária. Janot será sucedido na PGR por Raquel Dodge, crítica à sua gestão.

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