BRASÍLIA - Em documento a ser discutido em seu 6º Congresso, que tem início nesta quinta-feira, em Brasília, o PT manifesta sua posição “inegociável” pelas “Diretas Já” e afirma que não votará em eventual eleição indireta caso o presidente Michel Temer deixe o cargo. O texto deve sofrer alterações ao longo do encontro, que vai até sábado.
“O PT manifesta sua posição inegociável pelas Diretas Já e contra o golpe dentro do golpe. Enfrentamos quaisquer iniciativas das classes dominantes de impor eleições indiretas por meio de um Colégio Eleitoral. (…) Para pôr fim a essa crescente escalada de retrocessos é preciso antecipar as eleições para que a vontade livre e soberana do povo se manifeste nas urnas. O PT não votará no Colégio Eleitoral”, diz a proposta de projeto de resolução.
Embora setores minoritários do PT defendam que, em caso de eleição indireta, seria um erro o partido não participar, repetindo a estratégia adotada em 1985, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em conversa com deputados na manhã desta quinta-feira, que os petistas não podem se desconectar das ruas neste momento. O PT espera que as manifestações a favor das eleições diretas ganhem força.
– Prefiro perder dez eleições diretas do que ganhar uma indireta – disse Lula, segundo um petista, em reunião com juristas, na semana passada, em São Paulo.
Apesar das discussões sobre o pós-Temer, Lula disse a deputados, na manhã desta quinta-feira, acreditar que o presidente pode ganhar uma sobrevida no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na próxima semana.
O documento base do 6º Congresso diz que o PT “lutará para impedir que os golpistas interditem o direito do companheiro Lula ser candidato à Presidência da República”. Réu em cinco ações penais, Lula corre o risco de virar ficha suja, se for condenado por um órgão colegiado, e assim ficar impedido de disputar eleições.
O texto base do congresso petista defende ainda a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte “para adotar medidas de emergência que encadeiem reformas estruturais”.
Apesar de ter integrantes presos pela Lava-Jato, de ter tido um desempenho ruim nas eleições municipais e do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o documento petista prefere enfatizar os êxitos do partido.
A autocrítica mais forte é feita em relação ao governo Dilma. “Ao invés de acelerar o programa distributivista, como havia sido defendido na campanha da reeleição presidencial em 2014, o governo adotou medidas de austeridade sobre o setor público, os direitos sociais e a demanda. O ajuste fiscal, além de intensificar a tendência recessiva, gerou confusão e desânimo na base social petista. (…) Apesar de seguidas decisões do partido, apontando ser indispensável mudar a política econômica para recuperar apoio político e social, o governo prosseguiu no rumo que escolhera, agravando as dificuldades”.

