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Em conversas, Aécio diz que é vitima de condenação sem julgamento

BRASÍLIA — Em conversas com aliados, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) tem dito que não foi julgado e que precisa de uma chance para se defender. Aécio pede que seus colegas analisem seu caso antes da votação marcada para esta terça-feira, em que os senadores decidirão se irão manter ou revogar o afastamento do mandato do tucano, determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Após a situação de Aécio ter se complicado nos últimos dias, a expectativa de aliados é que o Senado derrube a decisão do STF. A avaliação dos tucanos é que o senador terá 44 votos favoráveis, três a mais do que o necessário. A bancada do PSDB fechou questão e votará pelo retorno de Aéico ao mandato.

Afastado há 21 dias do mandato, o senado tem recebido em sua casa visitas de poucos aliados, advogados e correligionários partidários, como o presidente do partido, senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE). Nos últimos dias, conversou também por telefone com alguns senadores

Segundo parlamentares com quem conversou, Aécio não toca no teor da conversa gravada por Joesley Batista, mas insiste que os R$2 milhões entregues em malas de dinheiro para seu primo, Frederico Pacheco, fazia parte de uma operação de venda de um apartamento da família.

— Quando Aécio liga, fala o óbvio. Que está sendo vitima de uma condenação sem julgamento, que nem réu é. Nem cita o fato de estar recolhido em casa a noite, mas se queixa do afastamento do mandato popular . Aqui no Senado está tudo muito silencioso, não há comunicação de ninguém com ninguém sobre essa votação de Aécio, o constrangimento é geral e o assunto não está sendo oxigenado nas conversas — relata um dos senadores com quem Aécio tem conversado.

Durante uma reunião, na tarde desta terça, no gabinete de Tasso Jereissatti, o senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), braço-direito de Aécio, defendeu que a questão seja analisada do ponto de vista da defesa do Senado como instituição, e não focando no caso específico do senador mineiro.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), chegou ao Senado e disse que "veio para votar". Jucá esteve hospitalizado na semana passada e está com atestado médico. Mas avisou ao comando da Casa que viria se a votação ocorresse hoje.

— Vim apenas votar. Quem define (se é hoje ou não) é o presidente — disse Jucá.

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