Em Ourilândia do Norte, no Pará, eleitores utilizaram óculos com câmera embutida para comprovar que votaram no vereador Edivaldo Borges Gomes, conhecido como Irmão Edivaldo (MDB). O esquema de compra de votos foi revelado após uma mesária notar eleitores usando o mesmo tipo de óculos com armação grossa. Ao abordar uma adolescente com o acessório no bolso, a mesária acionou a Justiça Eleitoral, que confirmou a presença de uma câmera nos óculos.
A adolescente confessou que recebeu uma oferta de R$ 200 de um desconhecido para votar no candidato e que o pagamento só seria feito após a comprovação do voto por meio das filmagens.
Irmão Edivaldo foi preso em flagrante e liberado após pagar fiança. Ele pode responder por compra de votos e associação criminosa, assim como os cabos eleitorais e eleitores envolvidos. A pena para esse tipo de crime pode chegar a quatro anos de prisão, além de multa.
De acordo com o Ministério da Justiça, entre agosto e outubro, foram registrados 765 casos de compra de votos no Brasil, com 576 prisões e mais de R$ 22 milhões apreendidos em ações contra corrupção eleitoral. O vereador não respondeu às tentativas de contato da reportagem.

