Eduardo Bolsonaro, o "filho 03" do ex-presidente Jair Bolsonaro, tornou-se a peça-chave na estratégia do PL para o Senado em São Paulo, mas em uma posição de bastidor que reflete sua atual vulnerabilidade jurídica. O plano de Valdemar Costa Neto é lançá-lo como primeiro suplente de André do Prado, garantindo que Eduardo mantenha o pé na disputa eleitoral mesmo à distância.
A candidatura titular de Eduardo, antes tida como certa, foi rifada pela cúpula do partido após o avanço de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas à sua atuação durante o período de "autoexílio" nos Estados Unidos.
A situação de Eduardo no Brasil é complexa. Ele permanece no exterior sob o peso de inquéritos que apuram sua participação em atos contra as instituições democráticas e sua influência em redes de desinformação. Aliados admitem que o movimento de colocá-lo como suplente é uma manobra de segurança: Eduardo planeja ficar nos EUA durante toda a campanha, evitando o risco de medidas cautelares ou prisões caso retornasse ao solo brasileiro para fazer campanha nas ruas. A ideia é que ele só retorne ao país na condição de suplente eleito, buscando a proteção do foro privilegiado e a legitimidade das urnas.
Mesmo distante fisicamente, Eduardo detém o controle simbólico da vaga no PL paulista. André do Prado e Valdemar Costa Neto precisaram viajar até a Flórida para obter sua "bênção", gravando vídeos que tentam transferir o capital político da família Bolsonaro para o presidente da Alesp.
Para o bolsonarismo raiz, no entanto, a ausência de Eduardo e sua substituição por um perfil de centro como o de Prado é vista com ressalvas, alimentando a narrativa de candidatos rivais, como Ricardo Salles, de que a verdadeira direita está sendo escanteada por conveniências jurídicas e acordos com o centrão.



