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Diplomacia muda junto com governos

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BRASÍLIA - Assim como ocorre em praticamente todas as instituições públicas nacionais, a nomeação de servidores para postos de confiança no Ministério das Relações Exteriores está intimamente ligada à posição política de quem está no poder. Os diplomatas Samuel Pinheiro Guimarães e José Maurício Bustani são dois exemplos de pessoas que passaram durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva pelo mesmo processo de reabilitação que os seus colegas que agora voltam aos postos chave.

Em 2001, na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Samuel Pinheiro Guimarães chegou a ser demitido do Instituto de Pesquisas e Relações Internacionais do Itamaraty pelo então chanceler Celso Lafer. Guimarães havia se declarado contra a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Na época, ele disse que a Alca iria destruir o projeto de desenvolvimento autônomo e de construção da sociedade brasileira.

Lula assumiu a Presidência da República em 2003 e convidou Celso Amorim para assumir o Ministério das Relações Exteriores. Durante a cerimônia de transmissão de posse, Amorim anunciou, em seu discurso, que Guimarães seria seu secretário-geral.

As declarações que foram rechaçadas por Lafer eram bem-vindas pelo petismo, que abortou as negociações sobre a Alca.

Já Bustani foi afastado da diretoria-geral da Organização para Proscrição de Armas Químicas (Opaq) em 2002, em um movimento orquestrado pelos Estados Unidos. Ele dizia que não havia armas químicas no Iraque, o que irritou Washington. Na época, o brasileiro se queixava a pessoas próximas que não havia recebido apoio suficiente do governo do Brasil.

Na primeira semana de governo Lula, Bustani teve seu nome indicado como embaixador do Brasil no Reino Unido. O ex-presidente petista sempre que podia mencionava o caso de seu embaixador, como exemplo de injustiça que tinha sido promovida na gestão tucana.

Desde que Temer assumiu, o Itamaraty tem uma atuação mais voltada para o comércio exterior. A pasta chegou a incorporar a Câmara de Comércio Exterior (Camex), que estava ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), atendendo a um pedido do ex-ministro José Serra. Porém, quando ele deixou a pasta, a Camex voltou a ser controlada pelo MDIC, após forte pressão do ministro Marcos Pereira, do PRB.

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