BRASÍLIA — O (DO) foi impresso pela última vez nesta quinta-feira. A partir desta sexta, o DO será publicado apenas no site da Imprensa Nacional, como é feito há 20 anos. O governo prevê economizar R$ 2,5 milhões ao ano com a medida.
Depois de dar publicidade e validade a atos do governo desde 1º de outubro de 1862 — Segundo Reinado do Brasil Império —, como Lei Áurea, Proclamação da República, redemocratização e a permissão do voto feminino, o DO trouxe na última edição a revogação de sua impressão.
Agora, atos oficiais dos Três Poderes serão disponibilizados somente no site da Imprensa Nacional, que tem cerca de 23 mil acessos ao dia. A versão impressa, por outro lado, tinha tiragem média diária entre 5 mil e 6 mil. Ela já chegou a 90 mil unidades. O DO teve uma edição com 5,2 mil páginas e 10,4 quilos, em 21 de setembro de 2000. Nesta quinta-feira, passaram pelas rotativas 608 páginas.
Raimundo Tiago trabalha há 25 anos na impressão do diário. Ele diz que agora o serviço deve ficar mais concentrado na impressão de livros na Imprensa Nacional. Raimundo se lembra de uma edição de 1997 que passou das duas mil páginas.
— Teve esse dia que foram mais de duas mil páginas. Foram quase 24 horas seguidas de trabalho. Era uma convivência muito legal com amigos, todos os dias — diz o servidor, que foi homenageado em cerimônia nesta quinta-feira. Raimundo Tiago tem 60 anos e pensa em se aposentar.
Com o fim da versão física, a Imprensa Nacional deve economizar 720 toneladas de papel ao ano, que é parte de um gasto total anual de R$ 2,5 milhões. O DO continuará a ser impresso, mas em número mínimo de exemplares. O decreto desta quinta-feira, assinado pelo presidente Michel Temer, determina que pelo menos um exemplar diário deve ser arquivado.

