Na sexta-feira, 11, garimpeiros bloquearam a BR-163, que corta a Transamazônica na região de Itaituba. Uma fila de dez quilômetros de extensão de caminhões chegou a se formar na rodovia, majoritariamente usada para o transporte de grãos rumo aos portos da região Norte do País. No domingo, a Justiça Federal determinou o desbloqueio imediato da rodovia, o que foi atendido pelos manifestantes.
O alvo dos garimpeiros são os agentes da Polícia Federal e do Ibama que, em operações realizadas na região, têm executado a destruição de máquinas e equipamentos utilizados na região pelo garimpo ilegal. Essas destruições têm amparo legal, são autorizadas pela Justiça e executadas conforme os protocolos de segurança previstos para esse tipo de operação.
Cada uma dessas operações tem sido informada previamente ao Palácio do Planalto, que não se manifesta a respeito. A reportagem questionou a Polícia Rodoviária Federal sobre a mobilização prevista na Transamazônica. Não houve resposta até o fechamento deste texto.
As mobilizações dos garimpeiros se espalham por meio de WhatsApp. Em mensagens, eles pedem ajuda financeira para bancar as paralisações, com compra de alimentos e água.
O "Km 30" é o local de entroncamento da BR-163 com a Transamazônica. Os caminhões que partem do Mato Grosso e região rumo ao Pará, seguem pela BR-163, até acessar a Transamazônica e, 30 quilômetros depois, chegaram ao distrito de Miritituba, em Itaituba, onde há uma série de portos fluviais erguidos na beira do Rio Tapajós. Trata-se, atualmente, de um dos principais trajetos de escoamento de grãos do País.
Em fevereiro, Bolsonaro publicou um decreto para transformar as atividades dos garimpeiros em "mineração artesanal". Seu argumento é de que tem o objetivo de "propor políticas públicas e estimular o desenvolvimento da mineração artesanal e em pequena escala", para estimular o "desenvolvimento sustentável regional e nacional".
Desde a sua pré-campanha à Presidência, Bolsonaro defende a atividade do garimpo. O presidente já chegou a dizer que "garimpeiros não são bandidos" e que "merecem toda a consideração". No Ibama, há relatos de perseguição a servidores do órgão que realizaram a destruição de máquinas usadas nas atividades ilegais.

